“Onde entram as escolas… e hospitais nos resultados eleitorais?… Quem semeia ódio colhe ódio”, afirmou Chapo

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu a paz, o recurso aos tribunais e o combate à criminalidade durante um comício popular realizado esta quarta-feira, 16 de Setembro, no distrito de Matutuíne, província de Maputo.
A intervenção ocorreu no arranque da visita de trabalho de três dias à província de Maputo e coincidiu com a inauguração do Tribunal Judicial do Distrito de Matutuíne, ocasião em que o Chefe do Estado anunciou o reforço das acções contra os raptos, o tráfico de drogas e outras formas de criminalidade.
Ao abordar a necessidade de preservar a paz, Chapo afirmou que os moçambicanos devem reconhecer as diferenças de pensamento e rejeitar a violência.
“Quem semeia ódio colhe ódio. Quem semeia amor colhe amor. Quem semeia violência colhe violência”, afirmou o Presidente, recorrendo ao adágio segundo o qual cada pessoa colhe aquilo que semeia.
Chapo também voltou a criticar os actos de violência e destruição registados durante as manifestações pós-eleitorais, questionando a ligação entre os danos causados a infra-estruturas públicas e os resultados eleitorais.
“Onde é que entra a escola nos resultados eleitorais?”, questionou, antes de mencionar hospitais e outras infra-estruturas públicas que, segundo afirmou, foram alvo de destruição.
“O hospital não fala, não anda, não foi recensear, não tem cartão de eleitor, não foi votar. Onde é que entra o hospital e medicamento do povo?”, acrescentou.
O Presidente da República afirmou ainda que os actos contra infra-estruturas públicas levantam dúvidas sobre os objectivos de quem participou nas acções de destruição, referindo particularmente a central de medicamentos.
Durante o discurso, Chapo apelou igualmente à população para recorrer aos tribunais e rejeitar a justiça pelas próprias mãos.
“Ninguém pode fazer justiça com as suas próprias mãos”, afirmou, acrescentando que “ninguém é culpado antes do julgamento”.
As declarações surgem num contexto de tensão política relacionado com os processos judiciais decorrentes das manifestações pós-eleitorais. Entre os processos está o que envolve Venâncio Mondlane, que responde no Tribunal Supremo a acusações apresentadas pelo Ministério Público.
O julgamento de Mondlane, inicialmente marcado para 6 de Outubro, foi entretanto adiado na sequência de um pedido da defesa, que alegou incompatibilidade de agendas. O Tribunal Supremo deverá definir uma nova data.
As declarações de Chapo geraram reacções entre apoiantes de Venâncio Mondlane, sobretudo nas redes sociais, num momento em que o processo judicial contra o político continua a provocar debate público.
O Tribunal Supremo já esclareceu que cabe ao tribunal apreciar a acusação, a defesa e as provas apresentadas no processo antes de tomar uma decisão sobre o caso.
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