Chapo visita obras da futura chancelaria erguida na antiga residência de Mondlane

O Presidente da República, Daniel Chapo, visitou hoje as obras da futura Chancelaria do Alto Comissariado da República de Moçambique em Dar es Salaam, na República Unida da Tanzânia, que estão a ser erguidas no espaço onde viveu o fundador da Frente de Libertação de Moçambique [FRELIMO] e arquitecto da unidade nacional, Eduardo Chivambo Mondlane.
A deslocação constituiu um momento de valorização da memória histórica da luta de libertação nacional, reforçado pelos testemunhos da família Mondlane e pela decisão de transformar o antigo lar num espaço permanente de representação diplomática moçambicana.
Durante a visita, Eduardo Mondlane Júnior recordou que a propriedade foi adquirida pela família em 1962 e desempenhou um papel central na história da luta de libertação.
“Em 1962 os meus pais adquiriram esta propriedade e, durante a década seguinte, ela não foi apenas o lar da nossa família, mas também uma parte da história viva de Moçambique durante a luta de libertação”.
Segundo explicou, antes do regresso da família a Moçambique, após a independência, o espaço foi palco de intensa actividade política e estratégica. “Antes do nosso regresso a um Moçambique independente em 1975, estes terrenos estavam repletos de propósito, sacrifício, esperança e de uma crença inabalável de que a nossa nação seria um dia livre.”
Acrescentou que “a nossa família sente-se honrada e acredita ser apropriado que o novo Consulado esteja a ser construído no mesmíssimo local onde outrora funcionou o Centro de Comunicações da FRELIMO”.
Eduardo Mondlane Júnior evocou igualmente o papel desempenhado pela residência como centro de decisões da liderança da FRELIMO durante os anos da luta armada.
“Esta sala de estar tornou-se num local onde a liderança central da Frente de Libertação de Moçambique, a FRELIMO, se reunia para deliberar, com o meu pai, o seu fundador e primeiro Presidente, para procurar o seu conselho, trocar ideias e tomar decisões que seriam vitais para sustentar a nossa luta de libertação, que era cada vez mais desafiante”.
O filho do fundador da FRELIMO destacou também que toda a família esteve envolvida na causa da libertação nacional, recordando os percursos da irmã Nyeleti (também presente na ocasião), que frequentou a escola da FRELIMO em Bagamoyo, e da falecida irmã Chude, bem como o seu próprio treino político e militar em Nachingwea.
Num outro testemunho, Eduardo Mondlane Júnior afirmou que o projecto representa muito mais do que uma obra diplomática. “Para a família, isto não é apenas o regresso a uma casa. É um regresso às nossas raízes”.
Prosseguindo, manifestou o reconhecimento da família pelo acolhimento recebido na Tanzânia durante os anos da luta de libertação. “É o regresso ao lar onde a minha irmã Chude, a Nyeleti e eu crescemos num ambiente desafiante, mas relativamente seguro. Por isso, seremos sempre gratos a Mwalimu Julius Nyerere, ao Governo e ao povo da Tanzânia”.
Por sua vez, o Alto Comissário de Moçambique na Tanzânia, Ricardo Ambrósio Mtumbuida, explicou que a decisão de instalar a futura Chancelaria naquele local visa preservar um património histórico de elevado significado para o país.
O diplomata recordou que Eduardo Mondlane “foi quem iniciou o nosso processo de libertação. Ele viveu aqui. Ele iniciou a luta armada de libertação nacional aqui e foi morto estando aqui”.
Acrescentou que a construção da infra-estrutura para a missão diplomática permitirá manter viva essa memória, estando igualmente prevista a colocação de um busto de Eduardo Mondlane à entrada do edifício, para que os visitantes conheçam a história daquele espaço.
Ricardo Mtumbuida informou ainda que as obras deverão estar concluídas dentro de cerca de dois anos, podendo o prazo ser reduzido, e explicou que o projecto foi antecedido por estudos técnicos realizados pelo Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, em coordenação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, incluindo testes de solo para garantir a qualidade da futura infra-estrutura.
No âmbito da sua agenda em Dar es Salaam, o Presidente da República visitou igualmente a residência de Maria Nyerere, viúva do Mwalimu Julius Nyerere, fundador e primeiro Presidente da Tanzânia, num gesto de homenagem à histórica amizade entre os dois países e ao papel desempenhado pelo estadista tanzaniano no apoio à luta de libertação de Moçambique.



