Sociedade

Relatório da ONU implica FADM, UIR e insurgentes em abusos sexuais contra menores em Cabo Delgado

Um novo e alarmante relatório das Nações Unidas (ONU) expõe a dura realidade enfrentada pelos menores no norte de Moçambique. Entre janeiro e dezembro de 2025, a organização documentou 23 casos de violência sexual contra crianças nas províncias de Cabo Delgado e Nampula. O dado mais sensível coloca no banco dos réus não apenas os grupos terroristas, mas também elementos das forças de defesa e segurança do Estado.

De acordo com o documento do Secretário-Geral da ONU sobre Crianças e Conflitos Armados, divulgado em meados de junho de 2026 e ao qual a Zumbo FM Notícias teve acesso, as vítimas desta barbárie são 22 raparigas e um rapaz.

A investigação das Nações Unidas conseguiu rastrear e atribuir a responsabilidade dos crimes a três atores no terreno.

Os grupos armados, habitualmente conhecidos como terroristas, são apontados como os principais infratores, sendo responsáveis por 19 casos. Por outro lado, as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) surgem ligadas a 3 casos, enquanto a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) é associada a 1 caso verificado.

Entre as violações graves confirmadas pelas equipas no terreno, saltam à vista 10 situações de casamentos forçados, uma prática que a ONU classifica directamente como uma forma de violência sexual associada aos conflitos armados que assolam a região norte do país.

O Secretário-Geral da ONU esclarece no documento que os dados apresentados são fruto de um rigoroso processo de verificação, em conformidade com a Resolução 2427 (2018) do Conselho de Segurança. No entanto, a organização deixa um aviso importante: estes números representam apenas a ponta do iceberg.

“Nem todos os incidentes ocorridos puderam ser verificados, devido às limitações de acesso às zonas afectadas pelo conflito”, refere o relatório.

Isto significa que, devido à insegurança e às restrições de movimento em vários distritos de Cabo Delgado, a realidade no terreno pode esconder um número substancialmente maior de crianças vítimas de abusos. O relatório anual serve de alerta global sobre o impacto devastador da guerra na vida dos moçambicanos mais vulneráveis.

Imagem: DR

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