Relatório parlamentar sobre mineração em Manica aponta falhas técnicas e falta de provas laboratoriais sólidas

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criado para investigar a suposta utilização de substâncias químicas perigosas na actividade mineira na província de Manica peca pela falta de rigor técnico-científico e evidências laboratoriais sólidas. A conclusão consta numa análise crítica divulgada pelo Centro de Integridade Pública (CIP), elaborada pela investigadora Mery Rodrigues.
Segundo o documento do CIP, embora a comissão parlamentar tenha realizado visitas de inspecção e auscultado diversos actores-chave, o relatório apresenta fragilidades metodológicas profundas que comprometem a credibilidade dos dados ambientais. A investigação aponta que o inquérito mistura relatos comunitários e percepções visuais sem apresentar de forma consistente os resultados laboratoriais, pontos de amostragem ou os métodos analíticos utilizados.
Outro ponto crítico levantado é o uso inadequado de normas regulamentares. O relatório da CPI baseou-se no diploma ministerial que regula os padrões de qualidade da água para consumo humano (água potável) para analisar amostras recolhidas directamente em rios (água bruta), o que distorce a interpretação dos riscos ambientais e de saúde pública.
O documento sublinha ainda que a mera observação visual da transparência da água ou a diminuição da turbidez não afasta a presença de metais pesados altamente tóxicos, como o mercúrio e o metilmercúrio, cujos impactos na saúde das populações locais e nos ecossistemas exigem monitoria rigorosa e contínua.
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