Sociedade

TotalEnergies e Governo enfrentam duras críticas após anunciarem formação de jovens na Matola para projecto de Cabo Delgado

A decisão da TotalEnergies de seleccionar o Instituto Industrial e Comercial da Matola, na província de Maputo, para capacitar 260 jovens moçambicanos que deverão integrar as operações no projecto de Afungi gerou forte indignação entre os líderes locais da província de Cabo Delgado.

Numa conferência de imprensa realizada este sábado (01) em Pemba, representantes da sociedade civil e do empresariado local manifestaram o seu repúdio perante a centralização dos investimentos de formação profissional na região sul do país, longe do epicentro dos megaprojectos de Gás Natural Liquefeito (GNL).

O presidente do Conselho Empresarial Provincial de Cabo Delgado, Mamudo Irache, classificou a escolha da Matola como uma “exclusão económica total” para a província detentora dos recursos naturais. Durante o seu pronunciamento, o líder empresarial exortou o Governo e as multinacionais a reverem os critérios de alocação de verbas.

“Temos a província com tantos recursos naturais que existem, as formações profissionais ligadas a petróleo e gás todos estão centralizados em Maputo. Essa é uma exclusão absoluta económica da nossa província”, contestou Mamudo Irache.

Irache defendeu que institutos locais, como a Escola Industrial de Pemba ou um novo centro no distrito de Palma, deveriam acolher e transformar a população de Cabo Delgado, garantindo que o investimento permaneça no local de onde os recursos são extraídos.

Na mesma linha de pensamento, Abudo Gafuro, representante do Fórum das Organizações Não Governamentais de Cabo Delgado (FOCADE), sublinhou que a província já dispõe de infra-estruturas capazes de acolher a qualificação da mão de obra local para a indústria do gás e outros sectores extrativos.

“Temos a escola industrial da cidade de Pemba que pode servir bem para o acolhimento desses diversos jovens ou centenas de jovens que necessitam desta qualificação de mão de obra”, destacou Abudo Gafuro.

O representante do FOCADE reiterou a abertura da organização para manter um diálogo construtivo com o projecto de LNG da TotalEnergies, por forma a assegurar espaços reais de inclusão, oportunidade e recuperação económica para a juventude de Cabo Delgado.

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