O contraditório entre a ambição regional do Metical e a escassez de divisas no País

Enquanto o Banco de Moçambique aponta caminhos estratégicos para reforçar o papel do metical como moeda de referência nas transações regionais ao nível da SADC — à semelhança do rand sul-africano —, o sector privado coloca o “dedo na ferida” sobre os reais alicerces da nossa moeda nacional.
Para o gestor empresarial Kekobad Patel em entrevista à MBC, a discussão sobre a expansão regional e o fortalecimento do metical esbarra numa realidade estrutural dura: não existe moeda forte sem uma economia forte e produtiva para a sustentar.
Num contexto em que a balança de pagamentos continua a pressionar as contas externas e a gerar escassez de divisas para financiar importações, Patel adverte que o país continua a produzir e a exportar manifestamente pouco.
Na visão do empresário, o ciclo vicioso da economia nacional revela fragilidades profundas no tecido produtivo. Moçambique vê-se numa posição em que depende da importação de equipamentos e matérias-primas para tentar fazer a máquina económica funcionar, mas esbarra na falta de divisas quando o setor produtivo nacional não gera retornos suficientes.
“Não se pode andar a pensar que vai montar a indústria para quando o equipamento não consegue chegar aqui, ou não consegue pagar o equipamento, quando não tiver divisas”, alerta Patel, sublinhando que a robustez do metical está directamente atrelada à capacidade do país de produzir, exportar e reduzir a dependência externa.
Além dos entraves produtivos, o gestor denunciou abertamente a existência de sérios desperdícios na gestão dos recursos públicos, apontando para falhas graves na afectação de dinheiros do Estado — como o pagamento a funcionários fantasmas enquanto o tecido produtivo sofre com a falta de apoios e liquidez.
Para inverter o cenário de fragilidade económica e dar credibilidade a qualquer ambição de valorização ou projecção da moeda nacional, Patel defende uma revisão profunda das prioridades do Estado através de rigor e disciplina no corte de gastos supérfluos, maior foco no fortalecimento da produção interna e a aceitação de uma cultura de sacrifício para garantir a sustentabilidade económica das gerações futuras.




