Sociedade

A propósito da Macaneta: Não querendo dizer que avisamos mas avisando!

Se há coisa desagradavel é quando acontece uma catastrofe e  alguém nos vem dizer que bem nos avisou.  Contudo, por vezes isso é necessário não porque resolva o problema mas para que reflitamos sobre se o que foi “avisado” pode ainda ser pertinente daqui para a frente. Estas notas não são pois uma tentativa de dizer que “nós avisamos” mas sim a de contribuir para uma reflexão que leve a uma acção que seja de facto efectiva e não nos deixe no eterno muro de lamentações.

Por volta do ano de 2011, um grupo de fiz parte dirigiu-se às autoridades, que não importa aqui especificar, com uma proposta de acção ampla sobre a educação cívica da população. A nossa motivação prendia-se com a constatação de uma ruptura do comportamento cívico que fazia já adivinhar  um exponencial aumento da desordem publica. A proposta tinha uma análise das causas sobre as quais se deveria intervir de forma permanente, estruturada e institucionalizada a diversos niveis: governos, municipios, diferentes ramos da policia, escolas e orgãos de comunicação social. Não se tratava de uma proposta de campanha mas de uma acção permanente que fizesse parte dos procedimentos de vários orgãos e sectores.

A proposta não teve qualquer eco nas autoridades e uma das respostas é que já haveria um projecto financiado pelo Japão que iria resolver o assunto. Não sei se o tal projecto andou nem o seu conteudo. A verdade é que a situação do comportamento civico foi se degradando a olhos vistos. Esporadiamente vemos uns cartazes, uns discursos e uns workshops realizados com pompa e circunstância que nada adiantam como se pode ver pelo dia a dia onde o caso da Macaneta foi apenas mais uma oportunidade que gerou acontecimentos extremos.

O que avisámos, e voltamos a avisar agora, é que é imperioso um plano estrutural. As milhares de manifestações de lamento que inevitavelmente aparecem não resolvem nada. Faz nos lembrar a persistente situação dos acidentes de viação em que autoridades e cidadãos lamentam constantemente mas nada se faz  de diferente para realmente alterar o percurso dos acontecimentos. E, também neste caso, não faltaram propostas e mesmo tentativas de acção que sugeriam uma intervenção diferente do que sempre se faz sem obter qualquer resultado.  Acções que, espéculo, não parecem ser adoptadas porque não geram grandes projectos financeiros nem colocam pessoas no palco iluminado.

Assim, não querendo ficar pelo “nós avisámos”, mas avisando, sugiro que se aja de forma diferente através de um plano estruturado e  abrangente que,  de forma permanente, vá impondo, por coação moral e administrativa, uma mudança efectiva de atitude no comportamento publico. E isso tem de ser feito sobre liderança e com planificação estratégica e   não por iniciativas pontuais e desconexas.

Fica a sugestão

Texto: António Prista

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