Nomeação e revogação de Waldemar de Sousa colocam novamente o Tribunal Administrativo sob pressão

O activista de Direitos Humanos Adriano Nuvunga exige esclarecimentos ao Tribunal Administrativo (TA) sobre o estado de um processo relacionado com as chamadas “dívidas ocultas”, que envolve o antigo administrador do Banco de Moçambique, Waldemar Fernando de Sousa.
Numa carta pública dirigida à presidente do Tribunal Administrativo, juíza conselheira Ana Maria Gemo Bie, datada de 6 de Setembro de 2026, Nuvunga questiona a demora na tramitação do processo, que, segundo o documento, corre naquela instituição desde 2019, sem que seja conhecida publicamente uma decisão.
A intervenção surge dias depois de Waldemar de Sousa ter sido indicado pelo Presidente da República, Daniel Chapo, para o cargo de Governador do Banco de Moçambique. A nomeação acabou por ser revogada pelo Chefe do Estado em menos de 24 horas, sendo posteriormente nomeado Felisberto Dinis Navalha para dirigir o banco central.
Na carta, Nuvunga afirma que o processo relacionado com as dívidas ocultas permanece sem julgamento ou esclarecimento público há cerca de sete anos. O activista questiona, inclusive, se o processo terá sido deliberadamente paralisado para proteger Waldemar de Sousa e outras figuras que, segundo a sua alegação, estiveram envolvidas em decisões relacionadas com as dívidas ocultas.
“O povo exige saber, com urgência, onde está o processo, quem o paralisou e quando será tomada uma decisão”, escreve Nuvunga na carta dirigida à presidente do TA.
O activista considera ainda que o silêncio da instituição alimenta a percepção pública de impunidade e questiona o papel do Tribunal Administrativo no esclarecimento de processos relacionados com um dos maiores escândalos financeiros da história de Moçambique.
A carta não apresenta, contudo, uma decisão judicial que confirme que o processo tenha sido deliberadamente paralisado ou que o Tribunal Administrativo tenha actuado para proteger Waldemar de Sousa. As afirmações sobre uma eventual paralisação deliberada são apresentadas por Nuvunga como questionamentos e acusações que requerem esclarecimento institucional.
Nuvunga termina a carta a defender que a sociedade deve saber onde se encontra o processo, quem é responsável pela sua demora e quando será tomada uma decisão, colocando novamente o caso das dívidas ocultas no centro do debate sobre transparência, responsabilização e confiança nas instituições públicas.
Imagem: DR




