Governo confirma ataque terrorista a acampamento turístico em Niassa

O Governo da província do Niassa confirmou oficialmente a ocorrência de um ataque terrorista no Posto Administrativo de Marangira, distrito de Marrupa, numa incursão que atingiu directamente uma das principais áreas de exploração turística e cinegética da região.
A confirmação foi feita pelo secretário de Estado no Niassa, Silva Livone, que se deslocou sábado (05), à zona afectada para avaliar, no terreno, a dimensão dos estragos e inteirar-se das condições das populações e do funcionamento dos serviços essenciais afectados.
Segundo uma publicação da AIM, o ataque, ocorrido na quinta-feira (03), provocou uma morte e um ferido entre os membros das Forças de Defesa e Segurança. Um dos principais alvos da incursão foi a Coutada de Marangira, onde opera a Mozambique Wild Adventures (MWA).
Os atacantes saquearam, vandalizaram e incendiaram instalações do empreendimento, incluindo o seu acampamento turístico.
Foram igualmente destruídas ou incendiadas outras infra-estruturas existentes na área, entre as quais o centro de saúde local, o posto policial e viaturas. A antena de telecomunicações da região também foi vandalizada, afectando as comunicações numa zona já marcada pelo isolamento geográfico.
No conjunto, os danos materiais são avaliados em cerca de quatro milhões de dólares norte-americanos, representando um duro golpe para uma actividade que vinha sendo desenvolvida naquela região há vários anos.
Para além da destruição das infra-estruturas, o ataque provocou uma nova vaga de deslocação da população.
As autoridades confirmaram que milhares de pessoas abandonaram as zonas afectadas em busca de segurança. Dados divulgados pelo Governo provincial apontam para cerca de 2.000 pessoas acolhidas inicialmente.
Parte da população procurou abrigo na vila de Marrupa, localizada a cerca de 45 quilómetros da zona afectada, enquanto outras pessoas foram encaminhadas para locais de acolhimento.
O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e as autoridades distritais estão a prestar assistência às populações deslocadas.
O ataque em Niassa ocorre num momento em que os Estados Unidos mantêm um alerta severo para determinadas zonas do norte de Moçambique.
Na actual recomendação de viagem, o Departamento de Estado norte-americano classifica a Reserva do Niassa como zona risco devido ao terrorismo. O alerta representa um novo revés para o turismo de natureza e de safari no Niassa, sector que depende fortemente da percepção de segurança dos visitantes estrangeiros.
A Coutada de Marangira situa-se a norte de Marrupa, junto ao limite sul da Reserva Especial do Niassa. A concessão é uma extensa área de conservação e exploração de fauna bravia, com aproximadamente 270 mil hectares, fazendo fronteira com a Reserva Especial do Niassa a norte e situada a cerca de 130 quilómetros a sul da antiga Reserva de Caça de Selous, na Tanzânia.
A área é conhecida pela sua biodiversidade e pela presença de espécies como a zebra de Böhm, o impala de Johnston e o boi-cavalo-do-Niassa, além de espécies ameaçadas como o mabeco.
(Foto DR)



