Sociedade

Antigo Vice-primeiro-ministro de Portugal defende diplomacia discreta para travar o conflito em Cabo Delgado

O antigo vice-primeiro-ministro português sublinha que o fim da instabilidade é decisivo para consolidar a recuperação económica e atrair novos investimentos para Moçambique.

O antigo vice-primeiro-ministro de Portugal, Paulo Portas, defendeu a necessidade de Moçambique adoptar uma diplomacia discreta no processo de pacificação e combate ao terrorismo que afecta a província de Cabo Delgado. Segundo o antigo governante, a resolução da crise exige acções fora dos holofotes mediáticos e das redes sociais.

“É preciso trabalhar em reduzir e, se possível, desaparecer as fontes desse conflito. Cabo Delgado é uma província essencial para o desenvolvimento de Moçambique”, afirmou Paulo Portas, sustentando que “a diplomacia é discreta — não se fazem as pazes por post nem por tweet. Implica muito trabalho e muito conhecimento”.

Durante a sua intervenção, Paulo Portas sublinhou que a persistência de conflitos armados continua a travar o potencial de crescimento do país. Ao traçar um paralelo com as crises internacionais e o impacto nos preços dos combustíveis e nos mercados globais, o político lembrou que a insegurança gera retração nos mercados e desconfiança entre os investidores.

Segundo Portas, falando à STV, Moçambique pagou um “preço muito elevado, do ponto de vista económico”, devido à instabilidade dos últimos anos, mas dá sinais de recuperação.

“Instabilidade traz pouca confiança, pouco investimento e alguma recessão. É preciso virar essa página, ser inclusivo, procurar ouvir as partes”, frisou, destacando contudo que o país está “finalmente a sair de uma posição recessiva” e que o regresso de alguns investidores à região norte já constitui um sinal positivo para o futuro económico da nação.

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