A recente missão do FMI em Moçambique deixou o Governo sem prazos para novo programa financeiro

O encerramento da mais recente missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Moçambique deixou o Executivo sem uma data prevista para a conclusão de um novo programa de assistência financeira, embora que o Ministério que tutela a pasta das finanças chamou aquilo de sinais positivos para um potencial programa de Facilidade de Crédito.
Conforme noticiado pelo jornal Canal de Moçambique, as conversações sobre as reformas necessárias vão estender-se pelos próximos meses, sem que tenha sido estabelecido um calendário para a formalização de um acordo técnico. Esta ausência de prazos representa um revés para o Governo, que contava fechar o processo com brevidade para aliviar as contas públicas.
Entre os dias 9 e 18 de setembro, a comitiva liderada por Pablo López Murphy reuniu-se com diversas figuras de relevo do Estado, incluindo a primeira-ministra, a ministra das Finanças, o governador do Banco de Moçambique, além de representantes do sector privado e da sociedade civil. No balanço destas jornadas, o FMI sublinhou que, apesar da estabilização da inflação e dos esforços de consolidação fiscal, o país continua a braços com desafios macroeconómicos profundos, tais como desequilíbrios fiscais e externos, vulnerabilidade a choques climáticos e constrangimentos energéticos.
Apesar do cenário de incerteza temporal, a instituição financeira internacional reconheceu os sinais de recuperação económica e o potencial a médio prazo do país, impulsionado sobretudo pelo desenvolvimento do gás natural. O FMI elogiou o compromisso das autoridades moçambicanas com as reformas, recordando também a liquidação antecipada de uma dívida avultada realizada pelo Estado em março como um gesto prudente de gestão financeira. No entanto, o organismo deixa o aviso de que serão exigidos esforços contínuos de política económica para mitigar os riscos estruturais.
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