Sociedade

Membros da RENAMO contestam presença da UIR nas instalações do partido

Membros da RENAMO contestam a presença da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) nas instalações do partido, defendendo a retirada da força policial como condição para o diálogo e para a resolução das divergências internas que há meses dividem a segunda principal força da oposição em Moçambique.

A posição foi apresentada hoje, em Maputo, pelo coordenador da Comissão de Gestão da RENAMO, Edgar Silva, durante uma conferência de imprensa convocada para anunciar as festividades do 4 de Outubro, Dia da Paz e Reconciliação Nacional.

Edgar Silva referiu que a presença da força policial em diferentes sedes da RENAMO cria constrangimentos ao funcionamento normal das actividades partidárias e dificulta a aproximação entre os sectores que disputam o controlo da formação política.

“Não tomámos as sedes para vandalizar nada, estamos aqui a contestar a direcção dele”, disse durante a conferência de imprensa, num claro recado ao presidente da RENAMO, Ossufo Momade.

De acordo com a fonte, os membros contestatários pretendem estabelecer um diálogo directo com a liderança do partido para encontrar uma saída para a crise interna.

A contestação ocorre num período de fortes divisões internas na RENAMO, que se agravaram na sequência das eleições gerais de 2024 e da disputa em torno da liderança de Ossufo Momade.

Além da contestação à liderança de Ossufo Momade, os membros defendem a realização de um balanço interno das últimas eleições para determinar as causas dos resultados obtidos pela RENAMO e apurar responsabilidades.

“Vamos solicitar balanço para acharmos os culpados, responsabilizarmos as pessoas pelo descalabro que tivemos”, disse Silva.

Para o grupo, a avaliação do desempenho eleitoral deverá fazer parte de um processo mais amplo de reorganização interna, que permita identificar os problemas que afectam o partido e estabelecer condições para a sua reunificação.

A realização do balanço e a abertura de um processo de diálogo são apresentadas como medidas necessárias para ultrapassar a actual crise e recuperar a coesão interna da formação política.

A contestação foi apresentada no contexto das celebrações do 4 de Outubro, Dia da Paz e Reconciliação Nacional, data que assinala a assinatura do Acordo Geral de Paz de Roma, em 1992.

O acordo foi assinado pelo Governo de Moçambique e pela RENAMO, colocando formalmente fim a 16 anos de guerra civil e abrindo caminho para a transição para o sistema multipartidário. As primeiras eleições multipartidárias do país realizaram-se em 1994.

Ao evocar o processo de paz, os membros contestatários defendem que o mesmo princípio de diálogo que permitiu pôr fim ao conflito armado deve continuar a orientar a resolução das actuais divergências políticas.

Para Edgar Silva, a prioridade passa agora por evitar o agravamento das divisões e criar condições para que as diferentes correntes da RENAMO encontrem uma plataforma comum.

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