Internacional

Xenofobia: África do Sul volta aos protestos na rua após três meses de interrupção

O movimento anti-imigração “March and March” confirmou o regresso aos protestos em massa hoje, quarta-feira (30), na África do Sul, em mais uma vaga que poderá resultar em tumultos e possíveis mortes. Esta data foi estabelecida pelo grupo como um novo ultimato para que todos os imigrantes em situação irregular abandonem o país. Estão planeadas manifestações nas principais cidades do país, incluindo Johanesburgo, Pretória, Durban e Cidade do Cabo.

De acordo com uma publicação da Carta de Moçambique, a organização declarou esperar a mobilização de até 1,5 milhões de pessoas nesta nova vaga de protestos. Além da forte oposição à imigração ilegal, o movimento incluiu nas reivindicações o combate à criminalidade e à violência de género (femicídio) no país. O grupo adicionou os recentes assassinatos de 12 mulheres à sua crescente lista de chamadas à acção, para que todos os homens marchem contra a violência de género.

“Convocamos todos os homens sul-africanos a saírem às ruas para falarem numa só voz e recuperarem a nossa sociedade das mãos dos criminosos. Nós fazemos parte do problema e precisamos resolvê-lo”, disse o grupo.

Hoje, não será apenas dia de protesto nacional contra a imigração ilegal, mas também de marcha dos Homens contra a Violência de Género e o Crime. A manifestação desta quarta-feira surge três meses após o primeiro prazo estipulado pelo grupo (30 de Junho), que resultou em tensões, encerramento do comércio e mais de 900 detenções a nível nacional.

O clima actual é de grande apreensão entre as comunidades de refugiados e trabalhadores migrantes de países africanos, como Nigéria, Moçambique, Zimbabué, Maláui e República Democrática do Congo, com vários sindicatos e associações a recomendar vigilância máxima e que se evitem distúrbios nas zonas da manifestação.

O novo prazo, arbitrário e sem o apoio de nenhum canal oficial do Governo, reacendeu os temores de violência xenófoba contra trabalhadores estrangeiros na África do Sul. Manifestações esporádicas contra imigrantes têm ocorrido quase semanalmente desde os protestos de 30 de junho, algumas das quais se tornaram violentas.

 

(Foto DR)

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