Epidemia de HIV ameaça voltar a ganhar força e preocupa saúde pública em Moçambique

O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) lançou um alerta severo: o combate global contra o HIV corre o risco de sofrer um retrocesso de décadas. A redução de quase 20% no financiamento internacional em 2025 coloca em xeque a prevenção e o tratamento da doença, com forte impacto nos países da África Subsaariana.
A crise orçamental acelerou-se após a suspensão e reestruturação dos fundos de assistência externa dos Estados Unidos, que historicamente garantiam cerca de 75% da verba internacional destinada à luta contra o vírus.
Apesar de os serviços essenciais de distribuição de medicamentos antirretrovirais continuarem prioritários, a maioria das acções comunitárias e programas de prevenção sofreu cortes profundos.
Para Moçambique, quinto país do mundo em prevalência do HIV e o segundo em número absoluto de infectados, com mais de 2,3 milhões de pessoas a viverem com o vírus, a redução de recursos externos representa um desafio crítico para o Sistema Nacional de Saúde.
Especialistas e organizações da sociedade civil alertam que a escassez de financiamento compromete directamente o rastreio e diagnóstico precoce nas comunidades e zonas rurais. Além disso, a quebra nos orçamentos fragiliza as campanhas de prevenção junto dos grupos vulneráveis e gera riscos reais na cadeia de suprimento e distribuição contínua de testes e medicação.
O relatório de 60 páginas do UNAIDS enfatiza que, sem uma mobilização urgente da comunidade internacional e o reforço dos orçamentos nacionais, a meta de erradicar a Aids como ameaça à saúde pública até 2030 ficará fora de alcance.
O órgão das Nações Unidas exorta os governos e parceiros de desenvolvimento a diversificarem as fontes de financiamento para evitar um novo surto de infecções no país e na região.
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