Marrocos vai ter mulher a liderar Governo pela primeira vez

O rei Mohammed VI nomeou esta terça-feira Fatima Ezzahra El Mansouri como primeira-ministra de Marrocos. É a primeira mulher a tornar-se primeira-ministra no país e a terceira mulher a chegar ao cargo num país árabe, depois de a Tunísia ter tido duas primeiras-ministras nos últimos três anos.
O palácio real marroquino emitiu esta terça-feira um comunicado em que anunciava que El Mansouri tinha sido convidada a formar um novo executivo, quatro dias depois da vitória eleitoral do partido Autenticidade e Modernidade que a atual ministra do planeamento urbano e autarca de Marraquexe lidera, segundo a Al Jazeera e citada pelo jornal Observador.
El Mansouri assumiu já que a nomeação é “verdadeiramente histórica“, por caber a “uma mulher assumir a responsabilidade de liderar o Governo pela primeira vez” na história de Marrocos. “Isto é motivo de orgulho não só para mim, mas para todas as mulheres marroquinas”, disse a futura primeira-ministra.
A possibilidade de Marrocos ter uma mulher a liderar o governo já tinha sido tema durante a campanha eleitoral. “Se tivessem à vossa frente um homem, atrever-se-iam a fazer esta pergunta? Perguntar-lhe-iam se é capaz de assumir esta responsabilidade?”, respondeu El Mansouri a um jornalista que lhe perguntou se seria capaz de liderar um projeto político com vista ao Mundial 2030.
“A mulher marroquina, incluindo Fatima Ezzahra El Mansouri, é capaz de gerir o seu lar, educar os seus filhos, dar conta da sua actividade profissional e dirigir uma grande autarquia”, acrescentou, em declarações citadas pelo jornal La Razón.
Nascida em Marraquexe em 1976, El Mansouri é formada em direito e, no seu percurso académico, passou pelas universidades de Montpellier, em França, e Nova Iorque, nos EUA. Foi eleita presidente da Câmara da sua cidade natal em 2009, tendo sido igualmente a primeira mulher a ocupar o cargo. Actualmente, El Mansouri acumula a pasta do planeamento urbano no Governo central com a liderança da autarquia de Marraquexe.
O próximo desafio da nova primeira-ministra marroquina passa por conversações com a oposição para garantir governabilidade. Apesar do primeiro lugar nas eleições, o partido Autenticidade e Modernidade elegeu apenas 97 deputados na câmara baixa marroquina, longe dos 198 parlamentares necessários para assegurar uma maioria absoluta. O partido Autenticidade e Modernidade, fundado em 2008 por um antigo conselheiro de Mohammed VI e que é visto como liberal, mostrou a sua disponibilidade para negociar com todos os partidos da oposição.
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