Energia eléctrica, infra-estrutura de Dados e só depois a Inteligência artificial ou soberania dos Dados

“Que chave é esta que abre a minha casa?” (Casa é onde o coração está, in Toni Morrison). Uma rede resiliente e altamente disponível é o que possibilita a intemporalidade de um sistema ou infra-estrutura onde o sistema está alojado, antes da inteligência artificial em si. Moçambique tem um debate adiado sobre a infra-estrutura eléctrica.
Os centros de Dados consomem altas quantidades de energia eléctrica e de uma maneira contínua, sem essa disponibilidade constante, não tens uma política de Dados que seja reflectida na prática. Até podemos criar grupos de peritos que elaborem algum guia sobre a implementação da inteligência artificial, mas o debate honesto terá que ter em conta a deficiente infra-estrutura que temos.
Com as nossas limitações, como podemos ter uma soberania nos dados sensíveis? Quem tem a chave da casa tem mais acesso a casa do que quem se auto intitula dono da casa.
Que tipo de cloud, por exemplo, os organismos públicos devem adoptar? Existe o modelo cloud híbrida (privado e público), neste caso os conceitos privados e público entendem-se no modelo de acesso. A cloud pública—mais de uma entidade pode aceder a infra-estrutura, com as devidas credenciais que os distinguem. A privada—só uma entidade tem acesso a infra-estrutura. Visto em termos de segurança, é vantajoso. Mas, em termos financeiros, não tanto, pois uma única entidade arca com todos os custos da infra-estrutura.
Empresas do mesmo sector podem compartilhar a infra-estrutura e terem custos financeiros aliviados. O mesmo pode se dizer em relação a organismos públicos, instituições que tenham dados sensíveis à soberania talvez justifiquem uma cloud privada.
A digitalização do país—não há inteligência artificial sem a digitalização—não há digitalização sem uma infra-estrutura eléctrica com redundância e uma certa robustez. É um debate que exige que “sente-se na mesa” que estuda a nossa infra-estrutura energética. Talvez devíamos voltar a falar das renováveis como uma alternativa mais descentralizada no fornecimento da energia eléctrica.
Oportunidade há, mas para aproveitar é preciso estudar as nossas possibilidades diante da oportunidade.
Texto: Nildo João – Engenheiro Electrotécnico e de Telecomunicações
(Foto DR)




