Sociedade

Associação questiona entrada de operadores internacionais no mercado de combustíveis em Moçambique

O mercado moçambicano de combustíveis enfrenta desafios estruturais profundos, marcados por dificuldades contínuas de abastecimento interno. Contudo, o sector regista uma crescente procura por parte de empresas internacionais interessadas em integrar o mercado nacional e participar nos concursos de fornecimento.

Durante um recente Economic Briefing da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) realizado em Maputo, segundo avança a MBC, o Presidente da Associação de Revendedores de Combustíveis, Luís Pereira, questionou a atratividade do país perante operadores estrangeiros: num momento em que o sector demonstra incapacidade de assegurar o abastecimento integral a nível nacional, levanta-se a dúvida sobre os reais motivos que impulsionam estas entradas.

A análise aponta directamente para a posição logística estratégica de Moçambique e para o elevado volume de mercadorias que circulam pelos portos nacionais rumo a mercados terceiros. No entanto, o país falha em capitalizar economicamente estas operações. Uma fatia expressiva dos serviços financeiros e de seguros associados às mercadorias em trânsito é gerada e liquidada fora das fronteiras nacionais, utilizando serviços bancários e seguradoras estrangeiras.

Como reflexo dessa vulnerabilidade, registam-se casos em que operadores utilizam correspondências bancárias locais, mas canalizam integralmente as suas transações para o mercado sul-africano, mesmo operando a partir de infra-estruturas estratégicas como os portos de Maputo. As actuais taxas alfandegárias revelam-se insuficientes para contrariar este cenário e gerar o volume de divisas exigido pela procura real do sector.

Diante deste panorama, a associação sectorial recomenda uma intervenção incisiva do Governo e do Banco de Moçambique. A proposta passa pela revisão e alteração das políticas de conversão e das operações cambiais, com vista a maximizar a retenção de divisas em território nacional. Para os revendedores, o desafio ultrapassa a simples regulação da entrada de novos operadores, exigindo garantias de que a dinâmica económica gerada pelos corredores logísticos e portos nacionais se converta efectivamente em receitas e divisas para a economia do país.

Imagem: DR

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