Sociedade

Moçambique negoceia reestruturação da dívida com a China e avança com novo programa do FMI

O Governo moçambicano está a negociar com Pequim um modelo semelhante ao acordo já alcançado com o Brasil. Daniel Chapo revelou também que o país pretende fechar um novo programa com o Fundo Monetário Internacional ainda este ano.

As negociações entre Moçambique e a China para a reestruturação da dívida bilateral estão bem encaminhadas. De acordo com o Presidente da República, Daniel Chapo, o processo poderá seguir o modelo do acordo recentemente alcançado com o Brasil, trazendo uma lufada de ar fresco para as contas públicas do país.

A China é actualmente o maior credor bilateral de Moçambique, com uma dívida estimada em cerca de 1,5 mil milhões de dólares norte-americanos. As conversações bilaterais têm sido descritas como positivas e visam aliviar significativamente a pressão sobre os cofres do Estado.

De acordo com as informações avançadas pelo Executivo, citado pela Bloomberg, estão a ser avaliadas várias opções estratégicas para a reestruturação financeira. Entre as principais alternativas em análise estão o reescalonamento dos prazos de pagamento e a conversão de parte dos compromissos, actualmente em dólares, para a moeda chinesa (yuan).

Outro mecanismo de grande interesse para o país é a possibilidade de conversão da dívida em investimentos directos. Desta forma, os valores seriam canalizados para o financiamento de projectos de desenvolvimento em sectores estratégicos nacionais.

Além das frentes de negociação com a China, o Chefe do Estado revelou que o Executivo moçambicano pretende fechar, ainda no decurso deste ano, um novo programa de financiamento e assistência técnica com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Os detalhes sobre o montante e o formato deste eventual apoio continuam sob discussão.

A estabilização macroeconómica surge numa altura em que o setor energético nacional também dá sinais de optimismo. Daniel Chapo reiterou a expectativa de que a multinacional norte-americana ExxonMobil tome a decisão final de investimento na bacia do Rovuma até ao próximo mês de setembro.

Paralelamente, continuam as negociações com a francesa TotalEnergies sobre os custos do projecto Mozambique LNG. Segundo o estadista, apesar de ainda se registarem ataques esporádicos na província de Cabo Delgado, a melhoria contínua da situação de segurança tem sido crucial para restabelecer a confiança dos investidores e permitir a retoma dos grandes empreendimentos no setor de gás e petróleo.

Imagem: DR

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