Violência em Cabo Delgado deslocou mais de 1.400 pessoas só no mês de Agosto

A violência armada em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, provocou o deslocamento de pelo menos 1.401 pessoas durante o mês de Agosto.
Os incidentes relacionados com o conflito aumentaram igualmente 10% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Os dados constam do mais recente relatório sobre a situação humanitária em Moçambique, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).
O documento, citado pelo “O País” indica que entre Janeiro e Agosto deste ano, pelo menos 29.564 pessoas foram obrigadas a abandonar as suas zonas de origem devido à violência armada. Mulheres e crianças representam cerca de 79% das pessoas deslocadas neste período.
O OCHA alerta que o conflito continua a afectar as comunidades do norte do país, numa altura em que a população enfrenta também os impactos de fenómenos climáticos extremos e o risco de uma nova seca associada ao fenómeno El Niño.
Em termos globais, os dados das Nações Unidas indicam que os incidentes relacionados com o conflito em Cabo Delgado cresceram 10% nos primeiros seis meses de 2026, face ao período homólogo de 2025. Os civis estiveram entre os principais alvos, representando cerca de 70% dos incidentes registados, que incluem assassinatos, raptos, saques e destruição de habitações.
A insegurança terá também alastrado a zonas anteriormente menos afectadas, com actividades de grupos armados registadas nos distritos de Balama, Namuno e Montepuez.
Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada desde Outubro de 2017. O conflito, numa província rica em gás natural, já provocou mais de 6.600 mortos e obrigou cerca de 1,2 milhão de pessoas a abandonar as suas zonas de origem.
Actualmente, Moçambique contabiliza cerca de 662 mil deslocados internos, segundo a mais recente avaliação da Organização Internacional para as Migrações (OIM), citada pelo OCHA.




