Banco de Moçambique esclarece gastos de 300 milhões em salários dos administradores

O Governador do Banco de Moçambique reagiu publicamente aos dados do relatório financeiro da instituição, afirmando que a grelha salarial é histórica e que a rubrica contabilística inclui provisões para pensões futuras, não apenas desembolsos directos.
O Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, esclareceu, na última quarta-feira (29 de Julho), durante a conferência de imprensa do Comité de Política Monetária (CPMO), a polémica em torno das remunerações dos membros do conselho de administração da instituição reguladora. O posicionamento surge numa altura em que o seu último mandato à frente do banco central se aproxima do fim, com término previsto para Setembro próximo.
As declarações surgem após a divulgação do relatório e contas do exercício económico de 2025, que indica que o banco central gastou 300,9 milhões de meticais em remunerações e regalias para os nove gestores de topo, o que equivale a uma média mensal de cerca de 2,8 milhões de meticais por administrador.
Classificando a controvérsia como “síndrome de fim de mandato”, Zandamela enfatizou que a estrutura remuneratória em vigor não sofreu alterações sob a sua gestão, tendo sido herdada de governadores anteriores.
“Eu não mudei a estrutura salarial. O esquema, a modalidade é essa. Parece que agora que estou a partir virou problema, um mês antes do meu mandato”, declarou o Governador.
Diante das preocupações sobre o impacto dos salários nas finanças públicas, Rogério Zandamela sublinhou a separação entre as contas do regulador e as do Tesouro Público, garantindo que nenhum encargo recai sobre o orçamento estatal.
“O orçamento do Banco é o orçamento do Banco, não se mistura com o orçamento do Estado. Não pensem que porque se paga o que se paga é porque se tira recursos do Estado”, explicou.
O líder da autoridade monetária justificou ainda que os montantes apresentados no relatório financeiro sob a rubrica salarial reflectem obrigações contabilísticas impostas por auditores externos, abrangendo passivos atuariais para garantir reformas e indemnizações, e não apenas dinheiro pago directamente aos administradores.
“Parte dessa rubrica inclui a avaliação das responsabilidades futuras, chamadas actuariais, da instituição. Os auditores exigem, de uma maneira conservadora, que essas responsabilidades também se incluam na rubrica salarial”, concluiu Zandamela.
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