Sociedade

ARA-Sul procura 4 milhões de dólares para reabilitação da barragem de Massingir após cheias

A Agência Regional de Águas do Sul de Moçambique (ARA-Sul) anunciou um investimento estimado em 4 milhões de dólares na reabilitação da barragem de Massingir, na província de Gaza, na sequência das cheias registadas este ano no rio Elefantes.

As cheias forçaram a activação automática do aliviadouro auxiliar da barragem, um acontecimento que nunca tinha ocorrido na história da infra-estrutura.

Segundo o director-geral da ARA-Sul, Edgar Chongo, os trabalhos em curso envolvem a substituição de blocos de betão no sistema de descarga de emergência e a substituição de equipamento eléctrico.

“Estamos a substituir blocos de betão em Massingir e também a substituir equipamento eléctrico. Estamos a falar de um investimento de aproximadamente 4 milhões de dólares. O volume de água proveniente dos países a montante levou ao funcionamento simultâneo das principais estruturas de descarga da barragem, acabando por exigir a activação do mecanismo de emergência”, afirmou Chongo, numa entrevista à AIM.

Massingir dispõe de três níveis de descarga e segurança. O primeiro é a saída inferior, utilizada para satisfazer as necessidades normais de abastecimento de água. Durante situações de cheia, o vertedouro principal entra em funcionamento. Existe ainda um terceiro mecanismo, o vertedouro auxiliar, concebido como o último nível de segurança da barragem.

“A saída inferior estava a funcionar à capacidade máxima, o vertedouro estava a funcionar à capacidade máxima, mas o caudal proveniente dos países a montante continuava elevado. Foi então que o vertedouro de emergência foi activado”, explicou.

Segundo Chongo, a activação do sistema não representa, por si só, uma falha da barragem. Pelo contrário, trata-se de um mecanismo concebido precisamente para proteger a infra-estrutura em situações extremas.

“Foi precisamente por isso que foi concebido para entrar em acção. A ARA-Sul já começou a substituir os componentes afectados e tem uma empreiteira mobilizada no local. A fase inicial da intervenção centra-se nos blocos de betão removidos pelo sistema de emergência, bem como no equipamento eléctrico”, afirmou.

“As lições retiradas das cheias deste ano poderão também conduzir a medidas de segurança reforçadas para outras infra-estruturas hidráulicas na região sul. Na barragem de Corumana, que actualmente não dispõe de um aliviadouro de emergência semelhante ao de Massingir, a ARA-Sul planeia construir um sistema com a mesma finalidade”, acrescentou.

Apesar dos desafios colocados pelas inundações e da possibilidade de ocorrência de fenómenos meteorológicos extremos, os níveis de armazenamento nas principais barragens da região sul são considerados satisfatórios. Segundo Chongo, a cerca de 30 dias do início da próxima estação das chuvas, as barragens de Pequenos Libombos e Corumana apresentavam níveis de armazenamento próximos dos 90%, enquanto a de Massingir se situava acima dos 70%.

“Temos um nível satisfatório, muito satisfatório. A ARA-Sul acredita que há água suficiente para satisfazer as necessidades das próximas estações. No entanto, a situação poderá depender da intensidade e, acima de tudo, da duração de um potencial fenómeno de El Niño”, afirmou Chongo.

Se o fenómeno for grave, mas de curta duração, a situação deverá permanecer sob controlo. Por outro lado, um El Niño grave e prolongado poderá exercer pressão sobre as reservas disponíveis, uma vez que as barragens têm capacidade limitada e o seu estado depende da duração do período de seca. Ainda assim, as perspetivas a curto e médio prazo são positivas.

 

(Foto DR)

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