Mondlane considera o seu julgamento uma oportunidade histórica para “expor os truques do regime”

O político voltou a classificar o processo judicial como o “julgamento do século” em Moçambique, argumentando que, pela primeira vez, as próprias instituições do Estado — incluindo o regime, o Tribunal Supremo e a Procuradoria — acabam também no banco dos réus.
Numa transmissão em directo através da sua página oficial na rede social Facebook, o político Venâncio Mondlane abordou o processo judicial de que é alvo, descrevendo-o como um marco inédito na história política e jurídica do país.
Para Mondlane, o processo não assume relevância apenas pela figura do próprio réu, mas sobretudo por inverter o papel das instituições. ”É a primeira vez que o próprio regime, a pensar que está a julgar alguém, ele próprio também está a ser julgado”, declarou, acrescentando que o escrutínio se estende ao Tribunal Supremo e à Procuradoria-Geral da República.
O político garantiu que a sua defesa apresentará uma versão detalhada e fundamentada por escrito, traduzida em várias línguas — nomeadamente inglês, francês, italiano e alemão —, com o objectivo de internacionalizar o conhecimento sobre os acontecimentos políticos recentes em Moçambique e a génese das acusações formuladas pela Procuradoria.
Apurando que o público ficará “embasbacado” e “com os cabelos em pé” quando forem revelados os contornos dos actos processuais, Mondlane criticou duramente o Ministério Público, acusando-o de fabricar acusações para proteger aquilo que classificou como um “regime criminoso, fraudulento e destruidor das finanças e da soberania do país”.
A Luta Contra a Politização da Justiça
Durante a comunicação digital, Mondlane sublinhou que a contestação jurídica ao processo representa muito mais do que palavras: consubstancia uma oportunidade de expor perante o povo moçambicano os mecanismos de politização e partidarização da justiça e do Ministério Público.
Justificando o seu regresso a Moçambique após um período de três meses no exílio, o político afirmou estar preparado para enfrentar quaisquer consequências pessoais — desde o sacrifício à condenação —, reiterando encarar o momento como uma oportunidade histórica de desmascarar fraudes, burlas e os métodos atribuídos ao executivo.
O desenvolvimento deste processo ocorre num momento de forte atenção mediática em torno do Tribunal Supremo, antecedendo os próximos trâmites judiciais agendados no âmbito da jurisdição superior do país.




