Wilker Dias classifica julgamento de Venâncio Mondlane como “capa política” e apela à responsabilização real

Numa entrevista concedida esta quarta-feira, 28 de Outubro, ao programa televisivo Grande Entrevista da Gungu TV, o activista e analista Wilker Dias questionou o foco institucional dado ao processo judicial de Venâncio Mondlane, argumentando que o verdadeiro centro de gravidade política deveria residir na responsabilização pelos actos de violência e na priorização do Diálogo Nacional Inclusivo.
Para Wilker Dias, o mediático processo e julgamento em torno de Venâncio Mondlane — agendado para o mês de novembro — funciona essencialmente como uma “capa política”. O analista sustenta que o foco excessivo nesta figura desvia a atenção pública de marcos cruciais para o país, nomeadamente a recta final do Diálogo Nacional Inclusivo, que se encontra numa fase decisiva:
”Enquanto todo mundo está preocupado em discutir Venâncio Mondlane, o processo eleitoral estará a entrar no Tribunal ou na Assembleia da República. (…) O que vai decidir o seu futuro, que é o Diálogo Nacional Inclusivo, que pode ter mais importância que o Venâncio Mondlane… está lá a rolar a correr, mas nós não vamos conseguir ver isso.”
Durante a intervenção, o entrevistado sublinhou que a sociedade civil cumpriu o seu papel ao entregar provas e evidências às autoridades competentes, questionando a lentidão e a priorização institucional: ”Porque nós entregamos as provas, entregamos as evidências, entregamos tudo que eles queriam. Por que a demora? Essa é a questão.”
Um dos pontos centrais abordados por Dias prende-se com a necessidade de conciliação baseada na justiça estrita. Na sua óptica, a reconciliação nos tempos actuais exige, primeiramente, a responsabilização de quem detinha os meios letais:
”A reconciliação parte com a responsabilização. E a responsabilização não é de Venâncio Mondlane. Não foi Venâncio Mondlane que disparou sobre as pessoas, mandou matar as pessoas. Não. Quem mandou matar? Quem tinha armas? Quem tinha essas armas?”
O analista recordou os dados críticos acumulados no contexto das manifestações, contabilizando centenas de mortos confirmados, milhares de feridos e centenas de baleados que continuam a receber assistência da sociedade civil. A este respeito, sublinhou que o apoio não deveria recair sobre as organizações cívicas por mero activismo, mas sim por dever de justiça do Estado: ”Não por conta de inclinação partidária, mas porque é o nosso senso de responsabilidade, mas não devíamos ser nós. Deveria ser o Estado a fazer isso, porque as balas foram provenientes de agentes do Estado”, concluiu.




