Sociedade

Decisão de enviar 109 militares da Marinha para a frente de combate em Cabo Delgado gera contestação

A decisão do Contra-Almirante Bernardo Estêvão Nchokomola, comandante da Marinha de Guerra de Moçambique, de destacar 109 militares para um estágio na frente de combate contra o terrorismo, na província de Cabo Delgado, está a gerar contestação e preocupação no seio daquele ramo das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).

Segundo uma o Canal de Moçambique, os militares em causa, dos quais 27 são fuzileiros e os restantes pertencem à componente naval, encontram-se desde Junho a frequentar uma formação em Pemba, destinada à promoção aos postos de capitão ou primeiro-tenente. No âmbito do curso, está previsto um estágio profissional de um mês em posições operacionais de combate ao terrorismo.

A controvérsia resulta do facto de a Marinha ser o único ramo das Forças Armadas cujos efectivos foram encaminhados para a frente de combate em Cabo Delgado. Os militares do Exército e da Força Aérea foram distribuídos por diferentes unidades e centros de especialização, localizados nas províncias de Maputo e Nampula.

De acordo com a publicação, a decisão terá provocado um descontentamento silencioso entre os militares abrangidos e os seus familiares, que consideram a medida arriscada e questionam a necessidade de realizar o estágio directamente no teatro operacional, onde os formandos poderão ficar expostos a ataques e perder a vida.

Os contestatários defendem que o estágio deveria decorrer em condições que permitissem a aprendizagem e a correcção de eventuais erros sem colocar em risco a integridade física dos participantes. A preocupação é reforçada pela recordação de um episódio ocorrido em 2018, quando jovens da Escola de Sargentos de Boane foram enviados para Mocímboa da Praia, nos primeiros meses da insurgência armada, tendo vários perdido a vida numa operação de combate ao terrorismo.

Entretanto, o Ministério da Defesa Nacional (MDN) considera que os militares devem estar preparados para qualquer missão. O porta-voz da instituição, coronel Pedro Domingos, confirmou o destacamento dos efectivos da Marinha para o Teatro Operacional Norte (TON), esclarecendo que a iniciativa faz parte da última etapa de um curso de promoção militar.

Segundo o responsável, o estágio tem a duração de um mês e constitui uma componente de formação destinada a preparar os militares para exercerem funções nas respectivas áreas de especialização, não sendo necessariamente uma formação específica para o combate ao terrorismo.

A decisão, atribuída ao Contra-Almirante Bernardo Estêvão Nchokomola, nomeado comandante da Marinha de Guerra em Fevereiro deste ano, continua, assim, a levantar questionamentos sobre os critérios de distribuição dos militares pelos diferentes ramos das Forças Armadas e os riscos associados à realização de estágios em zonas de conflito.

Imagem: DR

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