Xenofobia: Joaquim Chissano apela aos moçambicanos legalizarem a documentação para trabalhar na África do Sul

O antigo estadista moçambicano Joaquim Chissano instou, esta terça-feira (30), aos cidadãos nacionais para legalizarem a documentação como condição primordial para trabalhar ou viver na vizinha África do Sul, assegurando a disponibilidade do Governo para apoiar no processo.
“Posso aconselhar aqueles moçambicanos que realmente pensem em recomeçar as suas vidas, mesmo se tiverem que voltar à África do Sul, mas que se possam legalizar e o Estado está pronto para ajudar nisso (…) com passaporte e negociações com o Governo [sul-africano]”, disse Joaquim Chissano.
O antigo Presidente moçambicano criticou a violência pelos manifestantes, apesar de reconhecer a legitimidade das exigências, até porque, explicou, as mesmas estão em vigor em Moçambique.
No território moçambicano, o Terminal Rodoviário da Junta, na Cidade de Maputo, registou um fluxo contínuo e invulgar de cidadãos moçambicanos e estrangeiros que procuravam transporte para se deslocarem às diferentes províncias e regiões fronteiriças. O movimento massivo foi motivado pelo receio de novos ataques xenófobos na vizinha África do Sul, onde organizações anti-imigração convocaram uma grande marcha nacional para expulsar cidadãos estrangeiros em situação irregular.
Muitos dos passageiros que se concentravam no maior terminal da Junta tinham como destino final os postos fronteiriços, planeando seguir viagem para os seus países de origem, com particular destaque para o Maláui.
O pânico instalou-se no seio das comunidades migrantes na África do Sul devido às ameaças de violência associadas à manifestação nesta terça-feira (30), forçando centenas de famílias a abandonar as suas residências e bens em busca de segurança.
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