Sociedade

Yassin Amuji aponta caminhos para salvar o turismo moçambicano

O turismo moçambicano enfrenta actualmente desafios severos, registando cerca de 1,2 milhões de turistas por ano, um dos números mais baixos da África Austral, ficando inclusivamente atrás do Zimbabue. Esta conclusão foi avançada numa entrevista exclusiva concedida ao Dossiers Económico por Yassin Amuji, o novo presidente da Federação Moçambicana de Hotelaria e Turismo (FEMOTUR).

Eleito efectivo após dois meses como interino — na sequência do falecimento de Vasco Manhiça —, Amuji aponta que a solução para revitalizar o sector é clara, mas exige coragem política por parte do Governo. Entre os principais entraves apontados pelo responsável destacam-se a mobilidade reduzida e as ligações escassas, uma vez que o país sofre com poucas companhias aéreas internacionais, bilhetes domésticos proibitivos e falta de conexões directas entre destinos turísticos estratégicos.

A isto somam-se os altos custos e a burocracia, fazendo com que Amuji resuma o cenário ao afirmar que “Moçambique é um país caro e de difícil acesso”, apontando também o peso persistente da burocracia nas fronteiras. Outro dos grandes travões apontados não reside apenas na oferta hoteleira, mas sim na imagem projectada online. Quando potenciais turistas pesquisam sobre o país nas redes sociais e motores de busca, depararam-se com notícias negativas relacionadas com raptos, tráfico de droga e branqueamento de capitais.

Para reverter este cenário de estagnação, o presidente da FEMOTUR defende medidas estruturais urgentes. É necessário melhorar a mobilidade, baixar os preços dos bilhetes de avião e simplificar os processos de emissão de vistos. A aposta em portas de entrada dinâmicas, como Vilankulo, e o reforço do turismo regional e de montanha em locais como Gorongosa, Chimanimani e Bilene são vistos como passos cruciais para dinamizar a economia local.

Amuji sublinha que o turismo não vive isolado, dependendo directamente de sectores sinergéticos como a agricultura, a pesca, a segurança e os transportes. Se estes pilares forem activados de forma coordenada, o número de turistas poderá triplicar, trazendo prosperidade e recheando os cofres do Estado.

Imagem: DR

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