Violência jamais será caminho para resolução de conflitos migratórios – Chapo

O Presidente da República, Daniel Chapo, defende que a violência jamais será caminho para a resolução de conflitos migratórios entre povos que partilham a mesma História e enfrentam desafios existenciais comuns.
O Chefe do Estado falava a jornalistas na madrugada desta terça-feira, no âmbito do balanço da 46.ª Cimeira Ordinária dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que decorreu na cidade de Durban, na província sul-africana de KwaZulu-Natal, segundo avança a publicação da AIM.
O Presidente disse ainda que os Estados-membros da SADC condenaram veementemente a violência xenófoba perpetrada por alguns cidadãos sul-africanos contra estrangeiros africanos, incluindo moçambicanos.
“Era importante que mostrássemos a nossa indignação e condenação pela violência que se está a verificar. O Presidente Cyril Ramaphosa também reconheceu que a violência não pode ser o caminho para a resolução de conflitos migratórios entre dois países irmãos. O Presidente sul-africano reiterou o seu pedido de desculpas e prestou condolências às famílias enlutadas pela violência”, disse Chapo.
De acordo com a publicação, o Estadista explicou que o Governo de Moçambique apelou ao reforço do papel da SADC na promoção de uma migração segura dentro da região, bem como ao respeito pela vida humana.
“Apelámos, sobretudo, ao respeito pela vida humana, assim como condenámos a violência entre povos irmãos”, afirmou.
Questionado sobre a existência de um plano para solicitar ao Governo da África do Sul o ressarcimento pelos danos sofridos pelos moçambicanos durante os actos de violência, o Presidente respondeu que o assunto ainda não foi discutido.
“Não falámos do ressarcimento ainda, por ser um processo complexo. Falar sobre ressarcimentos é prematuro, dado que este processo ainda está em curso. No entanto, combinámos que continuaríamos a debater como povos irmãos, para que esta situação seja ultrapassada o mais rapidamente possível”, explicou.
O Presidente moçambicano considera que “o espírito de cooperação e solidariedade entre os povos” é crucial para a resolução pacífica dos conflitos migratórios.
“Foi graças à coesão que alcançámos as nossas independências. Lembremo-nos de que foi também graças à luta dos moçambicanos que a África do Sul alcançou a sua liberdade contra o Apartheid”, sublinhou.
Chapo defendeu ainda que os 16 Estados-membros da SADC devem continuar a debater questões relacionadas com a migração, de modo a encontrar, com urgência, soluções profícuas, uma vez que “esta tendência de divisão de povos irmãos não pode mais acontecer”.
O Chefe do Estado reforçou igualmente o apelo para que os moçambicanos não se envolvam em actos de violência por retaliação.
“Devemos agir com consciência mesmo em momentos difíceis”, apelou.
A Cimeira, sublinhou Chapo, serviu também para o Governo de Moçambique manifestar os seus agradecimentos pelo apoio prestado pela SADC durante as cheias que assolaram o país na época chuvosa de 2025-2026.




