Sociedade

Jota Pachoneia fala após 90 dias encarcerado e sem julgamento em Nampula

O activista social e defensor dos direitos humanos Joaquim Pachoneia, popularmente conhecido como Jota Pachoneia, que se encontra privado de liberdade há cerca de três meses no Estabelecimento Penitenciário Regional Norte sem que o seu processo tenha ido a julgamento, voltou a reagir publicamente sobre a sua situação legal.

As declarações surgiram no âmbito de uma visita de solidariedade promovida por elementos da sociedade civil e por uma delegação do partido RENAMO — a primeira força política a prestar-lhe apoio directo na cadeia.

Visivelmente emocionado, mas mantendo a postura firme que o caracteriza, Jota Pachoneia agradeceu o apoio contínuo que tem recebido de várias vozes da sociedade civil e de quadros políticos, destacando a solidariedade da maior força da oposição no país.

“São esses momentos em que vimos quem está do nosso lado. A primeira visita oficial de um partido político que recebi foi a própria RENAMO. É um momento de agradecer, porque é do pouco que o passarinho constrói o seu ninho”, afirmou o activista durante o encontro.

Apesar da prolongada prisão preventiva e da incerteza quanto ao desfecho do processo criminal, o activista deixou uma mensagem de resiliência sobre as suas condições na cela. No final, fez questão de recorrer aos seus conhecidos bordões — frases que celebrizou nos seus vídeos habituais de denúncia pública:

“Eu estaria triste se me colocassem no curral dos bois, mas lá dentro estou com pessoas. O sucesso atrai inimigos: mudamos tudo, ou tudo se repete!”, concluiu.

Jota Pachoneia tem sido figura central em várias acusações e detenções policiais nos últimos anos em Nampula, muitas das quais denunciadas por organizações de defesa dos direitos humanos (como a RMDDH) devido à alegada falta de mandados e à morosidade processual.

Até à data da publicação desta matéria, o activista permanece encarcerado e sem data marcada para o início do julgamento pelas autoridades judiciais locais.

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