Internacional

Primeira-Dama defende em Luanda investimento nas mulheres como caminho para um futuro sustentável

A Primeira-Dama da República, Gueta Selemane Chapo, defendeu esta quinta-feira, em Luanda, capital angolana, um compromisso continental para reforçar a resiliência das mulheres e raparigas face aos impactos das alterações climáticas, dos conflitos e das crises humanitárias, sustentando que investir no seu empoderamento é condição indispensável para garantir o desenvolvimento sustentável em África.

A posição foi expressa durante o lançamento da campanha “Reforçar Resiliência para Mulheres e Raparigas: Clima, Conflitos e Futuros Sustentáveis”, no âmbito da sua visita de trabalho a Angola para participar na Gala de Angariação de Fundos da Organização das Primeiras-Damas Africanas para o Desenvolvimento (OAFLAD).

Gueta Chapo afirmou que a iniciativa transcende o plano institucional, assumindo um significado estratégico para o continente, ao considerar que o lançamento da campanha representa muito mais do que um compromisso institucional, constituindo um pacto moral com o futuro de África.

A Primeira-Dama destacou que as mulheres e raparigas continuam a suportar os efeitos mais severos das alterações climáticas, dos conflitos armados, das deslocações forçadas e da pobreza, alertando que estes fenómenos atingem de forma desproporcional a população feminina. “Há momentos na história em que somos chamados não apenas a enfrentar os desafios do nosso tempo, mas a decidir que legados queremos deixar às gerações vindouras. Hoje é um desses momentos”, sublinhou.

Apesar das adversidades, Gueta Chapo rejeitou a ideia de que as mulheres devam ser vistas apenas como vítimas das crises, enfatizando o seu papel determinante no desenvolvimento do continente.

“As mulheres africanas são protagonistas da mudança. As mulheres africanas são agricultoras que garantem a segurança alimentar, empreendedoras que criam riqueza e empregos, educadoras que moldam gerações, também são profissionais de saúde que salvam vidas, líderes comunitárias que promovem a reconciliação e construtoras da nossa geração e do nosso povo”, afirmou.

Segundo a Primeira-Dama, a campanha representa uma mudança de paradigma ao colocar as mulheres no centro das respostas aos desafios globais.

“Não estamos aqui apenas para proteger mulheres e raparigas. Estamos aqui para investirmos nelas, fortalecer as suas capacidades, ampliar a sua voz e colocá-las no centro das decisões sobre o clima, a paz, a economia e o desenvolvimento sustentável”, defendeu, acrescentando que “não haverá desenvolvimento sustentável quando metade da nossa população continuar exposta às maiores vulnerabilidades e afastada dos espaços de decisão”.

Ainda no decurso da sua intervenção, a esposa do Presidente da República abordou a realidade moçambicana, recordando que o país tem enfrentado os efeitos devastadores dos ciclones, cheias, secas e do terrorismo em Cabo Delgado e em alguns distritos da província de Nampula, salientando que, em todas essas circunstâncias, as mulheres têm demonstrado uma capacidade singular de resistência.

“Em cada uma dessa situação, encontramos um denominador comum: a força, capacidade e resiliência das mulheres moçambicanas. E não só, das mulheres africanas, porque o que acontece em Moçambique também acontece por um pouco de toda África”, afirmou.

A Primeira-Dama assinalou ainda que esta visão está alinhada com a Agenda 2063 da União Africana e com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, defendendo que a adaptação às mudanças climáticas, a inovação tecnológica, a agricultura resiliente, a educação e os processos de construção da paz devem integrar as mulheres como protagonistas e líderes.

Acrescentou que o acesso ao financiamento e à educação constitui um factor decisivo para o progresso das comunidades e do continente. Como exemplo de políticas públicas voltadas para a promoção da autonomia económica feminina, Gueta Chapo destacou o lançamento, em Moçambique, do programa ProMulher, promovido pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo.

“O nosso Presidente da República, por sinal, meu esposo, lançou um programa no dia 7 de Abril, uma iniciativa de financiamento para as mulheres, somente para as mulheres, e chama-se “ProMulher”.

As mulheres não vão lutar com os homens para pedir financiamento. Isso significa que o nosso Presidente tem a plena consciência que precisa de investir na mulher”, afirmou.

A concluir, a Primeira-Dama apelou para que a campanha se traduza em políticas inclusivas, investimentos consistentes e acções concretas em benefício das mulheres e raparigas africanas.

A concluir, Gueta Chapo defendeu que o futuro de África dependerá menos da riqueza dos seus recursos naturais e mais da capacidade dos países africanos de investirem nas mulheres e raparigas, consideradas por si o maior recurso estratégico do continente.

Além disso, apelou ainda para que a iniciativa produza resultados concretos. “Que esta campanha seja mais do que um símbolo: seja um movimento continental de esperança, de solidariedade e de transformação que inspire políticas mais inclusivas, investimentos mais ousados e ações concretas”.

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