Sociedade

“Reconciliação nacional continua numa encruzilhada e sem solução a vista” – denuncia sociedade civil

As organizações da sociedade civil apontam as desigualdades sociais, a intolerância política e execuções sumárias como alguns dos principais entraves à paz inclusiva e sustentável no País. A posição é defendida numa altura em que decorre em Moçambique, o diálogo nacional e inclusivo com vista ao alcance da paz e a reconciliação nacional.

De acordo com o director executivo do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), Hermenegildo Mulhovo, a paz efectiva está comprometida em Moçambique, devido a vários factores.

“Diferentes grupos que fomos ouvindo denunciar as desigualdades sociais, a questão da intolerância política, a questão das privações dos direitos humanos, a questão das privações sociais também. Os jovens que pretendem fazer a sua vida, no seu dia a dia, vão sofrendo a questão do desemprego. São todos estes factores que confluem e tornam a nossa sociedade cada vez mais vulnerável aos conflitos. Não se aceita o pensamento diferente”, afirma Mulhovo, citado numa publicação da RFI.

No mesmo ângulo de abordagem, o director do Centro de Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, vinca igualmente que estes factores ameaçam o bom rumo do diálogo nacional, que se pretende inclusivo, e que está em curso no País.

“Quando continuamos a ver pessoas da oposição a morrer em circunstâncias estranhas, vítimas de balas disparadas por esquadrões de morte, não pode haver diálogo inclusivo. O conceito de diálogo pressupõe que se respeite o direito à vida de todas as pessoas. Esse é o ponto de partida”, assinala.

As organizações da sociedade civil moçambicanas IMD e CDD defendem ainda que se deve respeitar o direito à terra das comunidades empobrecidas ou precárias, para que estas possam viver com dignidade.

 

(Foto DR)

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