Sociedade

Graça Machel condena silêncio da SADC perante a onda de xenofobia na África do Sul

A activista social e ex-primeira-dama moçambicana, Graça Machel, manifestou publicamente a sua profunda preocupação com a postura do bloco regional face à violência xenófoba, apelando a uma resposta imediata dos Chefes de Estado.

Num posicionamento de forte impacto político e social, Graça Machel criticou abertamente o que considera ser uma falta de articulação e de sensibilidade humana por parte da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) na gestão da crise de xenofobia que abala a África do Sul.

A fundadora do Graça Machel Trust falava neste sábado, à margem das celebrações do Dia Internacional Nelson Mandela, que se assinala anualmente a 18 de Julho. Para a reconhecida defensora dos direitos humanos, a organização regional tem priorizado agendas burocráticas e acordos macroeconómicos em detrimento das verdadeiras relações humanas e sociais que unem os povos da região.

Durante as suas declarações, Graça Machel sublinhou que a SADC se transformou numa estrutura puramente institucional, focada em organizar encontros ministeriais e desenhar resoluções baseadas em interesses comerciais. Segundo a activista, o bloco tem falhado em analisar a fundo as “relações entre as nações”, isto é, a convivência e a ligação entre as sociedades que compõem o tecido social da África Austral.

“Se fosse no passado, imediatamente quando estes distúrbios começaram, os Chefes de Estado deviam ter-se reunido. Deviam ter começado a analisar o que é que isso quer dizer, como é que nós devemos trabalhar nisso”, vincou Machel, apontando o dedo à demora e à passividade das lideranças regionais perante a escalada da violência anti-imigração.

Além do clamor por uma intervenção diplomática e de segurança urgente para proteger os migrantes, Graça Machel trouxe à mesa a questão da soberania alimentar como um dos pilares estratégicos que a SADC devia estar a liderar com eficácia.

Com o tom crítico que lhe é característico, questionou os motivos que levam um bloco regional rico em recursos hídricos e com terras altamente férteis — incluindo países que historicamente sempre foram referências na agricultura — a continuar a enfrentar bolsas de fome e a depender da importação de alimentos.

Para a activista, a resolução da crise regional passa também por dar dignidade aos cidadãos através da autossuficiência. Machel concluiu exigindo que as lideranças da SADC apresentem propostas claras, tangíveis e coordenadas de produção interna de comida, de modo a que a região consiga não só alimentar os seus próprios povos, mas também gerar capacidade de exportação.

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