Sociedade

Ataques xenófobos: Sul-africanos incendeiam residências de moçambicanos e saqueiam bens

Manifestantes sul-africanos incendiaram esta terça-feira (30) residências de pelo menos 51 moçambicanos e saquearam os seus bens na sequência dos ataques xenófobos naquele país vizinho, com as autoridades a tentarem repatriar as vítimas.

“Pelo menos 51 cidadãos moçambicanos viram as suas residências incendiadas e perderam todos os seus bens na região de Mamelodi, em Pretória, no contexto da escalada de tensão associada ao dia 30 de Junho, data apontada por grupos anti-imigração na República da África do Sul como prazo para a saída de cidadãos estrangeiros em situação migratória irregular”, lê-se num comunicado do Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo).

Segundo o Gabinfo citado pelo SIC Notícias, as vítimas encontram-se sob protecção policial, estando já em curso diligências para o seu repatriamento a Moçambique, apontando ainda que continuam a ser reportados casos de intimidação e agressões contra cidadãos moçambicanos na região de Durban e outras áreas, “obrigando muitos a abandonar temporariamente as suas residências”.

“O dia foi marcado por um ambiente de elevada tensão, reforço das medidas de segurança pública e manifestações localizadas em várias províncias daquele país”, refere o Gabinfo.

Manifestantes anti-imigração sul-africanos deram até 30 de Junho, ontem terça-feira, para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo da África do Sul anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias e o reforço da segurança.

O Gabinfo avança ainda que continuam a registar-se incidentes isolados de agressão, intimidação e deslocações forçadas de cidadãos estrangeiros, embora, reconheça, a violência generalizada temida pelas autoridades “não se tenha materializado à escala prevista”.

As manifestações ocorreram em Joanesburgo, Pretória, Cabo Ocidental, North West e KwaZulu-Natal, com forte presença policial, indica a fonte, descrevendo que em várias cidades, os estabelecimentos comerciais permaneceram encerrados e os transportes públicos funcionaram de forma condicionada, quando as missões diplomáticas de Moçambique acompanham a situação e continuam a prestar assistência às vítimas.

 

(Foto DR)

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