Sociedade

Sociedade civil alerta para aumento da insegurança em Moçambique

O director-executivo da organização da sociedade civil Plataforma Decide, Wilker Dias, considera grave o aumento de assassinatos de figuras ligadas à oposição política, jornalistas e activistas em Moçambique.

As declarações foram feitas no encerramento de um simpósio regional de três dias, em Maputo, dedicado à pesquisa, governação e práticas colaborativas, que reuniu académicos, investigadores e líderes da sociedade civil de vários países africanos.

Citado numa publicação da RFI, Wilker Dias, considera preocupante a incapacidade das instituições do Estado de esclarecer vários casos de mortes e desaparecimentos registados no País. Segundo Wilker Dias, o aumento de casos envolvendo diferentes sectores da sociedade representa um risco que pode atingir cada vez mais cidadãos.

“Isto é extremamente grave porque hoje são os políticos, amanhã podem ser os activistas, porque antes de ontem ou ontem foram os jornalistas e depois os polícias. Então, todos nós estamos praticamente em perigo”, afirmou.

O responsável criticou igualmente a falta de esclarecimentos sobre vários casos de mortes e desaparecimentos, defendendo que as instituições estatais devem investigar e apresentar respostas às famílias e à sociedade.

Wilker Dias apontou, entre outros casos, a morte de agentes da polícia, o desaparecimento do jornalista Arlindo Chissale e homicídios envolvendo membros de partidos políticos, afirmando que, até ao momento, não foram apresentadas explicações conclusivas sobre alguns desses casos.

“Não conseguem investigar e trazer à tona [as respostas] para este tipo de mortes. Vários polícias morreram, não conseguiram trazer isso. O jornalista Arlindo Chissale está desaparecido e ainda não se conseguiu fazer isso. Tivemos também casos de outros políticos, membros dos partidos políticos que foram mortos e ainda não se conseguiu descobrir o que é que foi”, declarou.

Perante este cenário, o director executivo da Plataforma Decide defende que a sociedade civil deve assumir um papel mais activo na procura de respostas e na documentação dos casos.

“Parece que cabe também a nós, como sociedade civil, procurar saber o que poderá estar por detrás disso para trazer respostas à sociedade que precisa neste momento. Este é um dos nossos focos, uma das nossas missões para já”, referiu.

Para fazer face aos receios entre activistas e defensores dos direitos humanos, Wilker Dias diz que as organizações da sociedade civil têm apostado no reforço da solidariedade e da cooperação, incluindo através de redes regionais e internacionais.

De acordo com o responsável, quando um activista é colocado em situação de risco, são accionadas organizações de diferentes países, que procuram alertar para a situação e, em alguns casos, contribuir para a sua protecção.

“Para lidar com estes medos e receios por parte dos ativistas, nós continuamos a pautar com aquilo que tem sido a nossa palavra de ordem desde o ano passado, que é a solidariedade”, explicou.

As declarações foram feitas no encerramento de um simpósio regional de três dias, realizado em Maputo, que reuniu académicos, investigadores, profissionais e líderes da sociedade civil de vários países africanos para discutir questões relacionadas com pesquisa, governação e práticas colaborativas.

Entre os principais resultados do encontro, Wilker Dias destacou o lançamento do Movimento das Mulheres Moçambicanas Defensoras dos Direitos Humanos, que considera um dos marcos do simpósio; destacando ainda  o papel da tecnologia na promoção de boas práticas de governação e na mobilização da sociedade civil em defesa dos valores democráticos.

“As ferramentas tecnológicas têm permitido ampliar a disseminação de iniciativas e práticas de governação, bem como facilitar a articulação de movimentos e acções de defesa da democracia nos países da região”, concluiu.

 

(Foto DR)

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