União Africana alerta que “ninguém pode afirmar que a epidemia de Ébola está controlada”

Um dia depois de a Organização Mundial de Saúde ter falado em “sinais encorajadores” na epidemia de ébola no leste da República Democrática do Congo, na última quinta-feira (17), o director-geral da agência de saúde da União Africana (Africa CDC) respondeu que “ninguém pode afirmar que a epidemia está controlada”.
A declaração surge um dia depois de o director-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, ter falado em sinais “encorajadores” na luta contra a epidemia na RDC, ainda que sublinhando que a resposta precisará de continuar durante vários meses.
Por outro lado, no sábado (19), também o porta-voz do Governo da RDC, Patrick Muyaya, escreveu, na rede social X, que “o pico foi atingido” no “início da terceira semana de Agosto”.
Em resposta, o director do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças disse que o número de casos estabilizou, mas que os dados disponíveis não permitem confirmar que o pico da epidemia já foi atingido. Jean Kaseya disse, ainda, que “não condenaria o Governo da RDC, mas que alguns dos comentários feitos foram baseados em dados incompletos”. Além disso, avisou que o número de casos de contacto reportados “não é nada animador”.
De acordo com a agência de saúde da União Africana e citada pela RFI, a epidemia actual, registada em sete províncias do leste da República Democrática do Congo, resultou em 3577 mortes e 7404 casos até 15 de Setembro.
A epidemia foi declarada em meados de Maio, com várias semanas de atraso, e teve origem na província de Ituri, no nordeste, continuando a espalhar-se para regiões remotas e instáveis no leste e norte da RDC. A deslocação das populações, o isolamento de certas áreas e os ataques contra o pessoal humanitário estão a complicar o combate ao vírus nesta região.
Actualmente, não existe nenhuma vacina ou tratamento aprovado para a estirpe Bundibugyo responsável pelo actual surto. Entretanto, foram enviadas para a RDC cerca de 70 mil doses da vacina Ervebo, usada contra outra estirpe do vírus, para avaliar o seu impacto no Bundibugyo. As organizações que geram a resposta sanitária consideram o financiamento insuficiente para garantir a monitorização e o isolamento dos doentes na RDC.
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