Governo necessita de 1,5 MM$ para reabilitação das barragens de Moamba Major e Mapai

As barragens de Moamba Major e Mapai poderão representar uma nova frente de defesa da região sul de Moçambique contra cheias e secas, mas a sua concretização depende de um investimento estimado em cerca de 1,5 mil milhões de dólares.
A informação foi avançada pelo director-geral da Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul), Edgar Chongo, numa entrevista da AIM, explicando que os dois projectos continuam sem financiamento assegurado e estão a ser promovidos junto de potenciais parceiros.
“A questão principal é o investimento, é o custo do investimento. Se trata de infra-estruturas de grande dimensão, cuja implementação exige alguma robustez financeira”, disse Chongo, sublinhando que para a barragem de Moamba Major, a reabilitação estimada em cerca de 500 milhões de dólares, enquanto a de Mapai poderá custar mil milhões de dólares ou pouco mais.
Mais do que grandes obras de engenharia, Chongo olha para as barragens como instrumentos para responder a problemas que afectam directamente a vida das populações, nomeadamente, a insuficiente água, cheias recorrentes e períodos de seca cada vez mais difíceis de prever.
Com capacidade projectada para armazenar 780 milhões de metros cúbicos de água, Moamba Major é apresentada pela ARA-Sul como uma infra-estrutura estratégica para garantir o abastecimento de água ao Grande Maputo a longo prazo e, simultaneamente, reforçar a resiliência climática no Baixo Incomáti.
O projecto não é novo. Os estudos existentes estão actualmente a ser actualizados, incluindo o próprio desenho da barragem. A previsão é de que esta actualização esteja concluída até início do próximo ano, altura em que deverá haver maior precisão sobre o custo final da obra.
Segundo a explicação da fonte, a barragem dos Pequenos Libombos, construída em 1987 para responder às necessidades de abastecimento do Grande Maputo, foi concebida numa realidade demográfica muito diferente da actual. Quase quatro décadas depois, a população cresceu significativamente e a capacidade daquela infra-estrutura já não consegue, por si só, acompanhar a procura.
Refere que, já foram procuradas alternativas, incluindo a barragem de Corumana, mas esta já está comprometida com o abastecimento de sectores como o açucareiro e outras fontes de consumo. É neste cenário que Moamba ressurge com peso. Segundo Chongo, a nova barragem deverá assegurar, em articulação com os Pequenos Libombos, uma disponibilidade de água mais segura e sustentável para o Grande Maputo.
Mas a importância da infra-estrutura vai além do Grande Maputo. A sua localização e capacidade permitirão também contribuir para a gestão das cheias no Baixo Incomáti, reduzindo o impacto dos caudais extremos.
Se Moamba Major tem uma componente decisiva no abastecimento de água, Mapai surge sobretudo como uma resposta estrutural à vulnerabilidade do vale do Limpopo. A barragem deverá criar capacidade adicional de armazenamento e ajudar a controlar os caudais do rio, reduzindo a exposição das populações às cheias e garantindo água em períodos de seca.
Actualmente, o Rio Limpopo, não dispõe de uma barragem capaz de regular os seus caudais. As águas provenientes dos países a montante entram no sistema e seguem pelo rio com reduzida capacidade de regulação.
“As cheias que vêm dos países que partilhamos o rio Limpopo têm passagem livre. Portanto, a barragem irá ajudar a fazer esta regulação”, explicou.
Segundo Chongo, é esta capacidade de regularização que poderá fazer a diferença para milhares de pessoas que vivem e produzem nas zonas vulneráveis às cheias do Limpopo. Mesmo com intervenções nos diques de defesa, a ARA-Sul entende que essas obras, embora necessárias, não são suficientes para garantir uma verdadeira resiliência climática.
A dimensão financeira de Mapai não é, contudo, o único obstáculo à sua concretização. O projecto poderá afectar cerca de 21 comunidades, o que implica a preparação e execução de processos de reassentamento, aumentando a complexidade social, técnica e financeira da obra. Chongo reconhece que esta conjugação de factores tem sido um dos principais entraves ao avanço do projecto.
“Quando falamos da barragem de Mapai, já estamos a falar de cerca de mil ou pouco mais de mil milhões de dólares. Falamos de reassentamento de cerca de 21 comunidades que estão em zonas que o projecto poderá afectar”, afirmou.
Apesar de Moamba Major e Mapai ainda não terem fundos assegurados para a construção, a ARA-Sul continua a apresentar os projectos a potenciais parceiros. A estratégia passa por divulgar as infra-estruturas, recolher contribuições técnicas e financeiras e estabelecer contactos que possam abrir caminho à mobilização de recursos.
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