Ex-funcionário diz que MzCash e FlexiMola são de chineses e revela esquema de pressões extremas no trabalho

O caso das aplicações digitais de microcrédito em Moçambique continua a gerar polémica. Um antigo trabalhador revelou detalhes sobre os mecanismos internos de cobrança, a forte pressão exercida sobre os funcionários e a alegada identidade dos proprietários por trás de plataformas como MzCash e FlexiMola.
De acordo com o testemunho prestado à EcoTV, os donos destas estruturas seriam cidadãos de nacionalidade chinesa, que lideram uma rede de empréstimos rápidos através da internet.
A denúncia mais grave centra-se na forma como os agentes de cobrança são geridos no dia a dia. Segundo o ex-funcionário, os trabalhadores são submetidos a avaliações sucessivas e rigorosas a cada três dias para medir a eficácia na recuperação do dinheiro emprestado aos clientes.
O sistema funcionaria com base em advertências sucessivas: uma recuperação considerada fraca resulta num primeiro aviso; se o desempenho continuar abaixo das metas, seguem-se novas cartas de aviso até culminar no despedimento ao nono dia, caso a pressão sobre os devedores não surta o efeito desejado.
Este modelo de gestão tem gerado um ambiente de trabalho marcado por forte pressão psicológica sobre os colaboradores, que são maioritariamente jovens.
O antigo trabalhador avançou ainda que apenas na cidade de Maputo existirão mais de 200 pessoas envolvidas neste tipo de actividade, o que revela uma estrutura organizacional com uma dimensão considerável no mercado nacional.
Além dos métodos agressivos de cobrança de dívidas, o testemunho aponta também para a existência de alegadas irregularidades no cumprimento das obrigações contributivas para com o Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), num cenário que ganha novos contornos à medida que o Banco Central já classificou este tipo de plataformas digitais como totalmente ilegais.




