“Podem chamar-me nomes, não tenho nada a ver” – diz Ossufo Momade em resposta aos críticos

O presidente da Renamo, Ossufo Momade, rejeitou as exigências para deixar, de imediato, a liderança do partido e defendeu que qualquer transição deve respeitar os estatutos e resultar de um congresso. Em Chimoio, onde a formação política está reunida, o dirigente criticou tentativas de mudança da direcção fora dos mecanismos internos e apelou à reabertura das delegações partidárias encerradas.
Ossufo Momade saiu do silêncio perante as críticas e pressões internas que exigem a sua saída da presidência da Renamo, garantindo que não pretende deixar o cargo fora dos procedimentos previstos pelos estatutos do partido.
Falando na cidade de Chimoio, onde a principal força política da oposição moçambicana está reunida, Ossufo Momade respondeu aos sectores que defendem a sua destituição, entre os quais o deputado António Muchanga e o porta-voz dos desmobilizados, João Machava.
Citado pela RFI, o dirigente sustentou que a Renamo, enquanto partido que reivindica a defesa da democracia e da legalidade, deve aplicar internamente os mesmos princípios que diz defender no espaço político nacional.
Na sua intervenção, Ossufo Momade rejeitou a possibilidade de uma sucessão imediata decidida fora de um congresso, considerando que a escolha do presidente do partido deve resultar de uma eleição organizada de acordo com as regras internas. “Não há altura aqui em que alguém diz: ‘eu vou ser presidente’. Isso não vai acontecer aqui na Renamo. Nós lutamos pela democracia, temos que fazê-la acontecer aqui na Renamo”, afirmou.
O presidente do partido foi ainda mais incisivo ao afastar qualquer cenário de tomada da liderança por pressão ou por imposição de grupos internos. “Querer assaltar o poder, essa não é a nossa regra, não é o nosso vocabulário. Assaltar, fazer golpe, não, não senhor. O que nós aprendemos é que temos que realizar o congresso. É de lá do congresso onde vai sair o presidente eleito”, acrescentou.
Ossufo Momade deixou claro que a eventual mudança na presidência da Renamo deve acontecer de forma “limpa” e ordeira, através dos mecanismos estatutários, rejeitando a hipótese de abandonar imediatamente o cargo para dar lugar a uma figura indicada fora de um processo eleitoral interno. “Agora dizer ‘Ossufo sai hoje para entrar fulano’, não há nada disso”, vincou.
A declaração surge num momento de contestação interna à liderança de Ossufo Momade, com vozes dentro do partido a questionarem a permanência no cargo e a exigirem mudanças na condução da Renamo.
Além da disputa em torno da liderança, o presidente da Renamo abordou também as tensões relacionadas com o funcionamento das estruturas partidárias no terreno. Dirigindo-se nominalmente a alguns dos seus críticos, pediu que sejam retirados os homens que estarão a impedir o acesso a determinadas delegações do partido.
“Meu irmão Machava, eu respeito-te. Cuna, eu respeito-te. Chaúque, eu estou a pedir para mandarem os vossos homens sair das nossas delegações”, afirmou, defendendo que, enquanto membros da Renamo, todos podem entrar nas instalações e desenvolver as suas actividades partidárias dentro da normalidade.
Ossufo Momade advertiu, ainda, que o bloqueio das delegações pode comprometer o funcionamento da organização depois do encontro de Chimoio, sublinhando que a realização da reunião mobilizou recursos financeiros e logísticos do partido. “Nós não podemos sair deste encontro, dar meia-volta e ter dificuldades de entrar nas nossas delegações, porque para estarmos aqui gastámos dinheiro, foram recursos. Abram as nossas delegações que estão fechadas”, apelou.
Apesar das críticas pessoais de que tem sido alvo, Ossufo Momade procurou apresentar a observância dos estatutos como a sua principal preocupação, assegurando que não pretende responder aos ataques com confrontação. “Podem chamar-me nomes, eu não tenho nada a ver, mas o que eu quero é fazer cumprir os nossos estatutos”, concluiu.
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