Sociedade

Moçambique aposta em Sistemas Agroflorestais para travar perda de 267 mil hectares de floresta por ano

O Governo moçambicano quer transformar os Sistemas Agroflorestais no principal escudo contra o desmatamento e a crise climática. O anúncio foi feito pelo Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, durante a abertura do Workshop Nacional sobre Sistemas Agroflorestais, que decorre na capital do País.

Moçambique figura actualmente entre os dez países com maiores taxas de desmatamento a nível mundial, perdendo anualmente mais de 267 mil hectares de florestas.

A situação ambiental do País é crítica e ameaça directamente a segurança alimentar das comunidades, uma vez que mais de 70% da população depende de uma agricultura altamente vulnerável ao clima. Para além disso, cerca de um quarto do território nacional já apresenta solos degradados, um cenário agravado por práticas como o corte e queima, a agricultura itinerante sem maneio adequado, a expansão de monoculturas e a exploração ilegal de recursos naturais.

“Este cenário coloca em risco a meta de produção de 3,4 milhões de toneladas de cereais na campanha agrária 2025/2026, devido à crescente instabilidade climática”, alertou o Ministro Roberto Mito Albino.

Como resposta prática, o governante defendeu a massificação dos Sistemas Agroflorestais, que combinam árvores, culturas agrícolas e pecuária na mesma área, permitindo recuperar a fertilidade da terra e proteger os rendimentos das famílias rurais contra secas e cheias.

Estes sistemas já estão a transformar a realidade no terreno com resultados expressivos. Na província da Zambézia, através do projecto ETHAKA, registou-se um aumento de produtividade entre 30% e 50% nas culturas associadas, além de uma maior resistência das colheitas durante a severa seca que assolou a região em 2024.

Já na província de Nampula, a introdução do sistema Faidherbia-milho permitiu restaurar os nutrientes do solo e elevar em cerca de 40% o rendimento financeiro das famílias camponesas, provando a viabilidade económica do modelo.

Para impulsionar esta transição, Moçambique firmou um Memorando de Entendimento com a Itália no domínio do desenvolvimento sustentável. O acordo vai viabilizar a transferência de tecnologias, a investigação científica, a economia circular e programas conjuntos de gestão de solos e recursos hídricos.

O representante da Cooperação Italiana, Gabriele Annis, sublinhou que o sector ambiental é um dos pilares da actuação do seu país em Moçambique. O diplomata destacou que a parceria assenta numa relação sólida e que Moçambique reúne todas as condições para se afirmar como uma referência regional na conciliação entre produção agrícola e conservação ambiental.

O workshop de dois dias servirá de base para actualizar a Estratégia Nacional dos Sistemas Agroflorestais, transformando as experiências de sucesso locais numa política de escala nacional.

Imagem: DR

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