Sociedade

Plataforma DECIDE denúncia ataques contra membros do ANAMOLA na província da Zambézia

Relatórios preliminares da Plataforma DECIDE apontam para agressões, incêndios de dezenas de residências e mortes nos povoados de Naciaia e Mopiha, envolvendo membros do Partido ANAMOLA.

A Plataforma DECIDE denunciou esta segunda-feira (27) a ocorrência de alegados episódios graves de violência política registados entre os dias 22 e 24 de Julho no distrito de Molumbo, província da Zambézia. De acordo com o briefing da organização de monitoria democrática, os eventos provocaram mortes, agressões físicas, detenções e a destruição de dezenas de habitações.

Os incidentes mais críticos tiveram lugar na localidade de Naciaia, onde membros e simpatizantes do Partido ANAMOLA terão sido vítimas de perseguições e violência física grave com necessidade de cuidados hospitalares. Na mesma zona, foi confirmada a morte da cidadã Julieta Wilson na sequência do incêndio provocado na sua residência.

Além da perda de vidas humanas, os ataques resultaram na destruição de bens pessoais, produtos agrícolas e valores monetários. Vários cidadãos locais, entre os quais Ama (Rainha) Maria Eduardo, Jone Estevão, Armando António, João Limalihene, Paulo Douglas, Wilson Mpulatxe, Patrício Malanhege, Mutucumela e John Muatabua, foram detidos sem que até ao momento tenham sido divulgados os fundamentos legais para as respectivas detenções.

A vaga de violência estendeu-se ao Povoado de Mopiha, no Posto Administrativo de Coromana, onde estimativas preliminares indicam a destruição por incêndio de cerca de 74 habitações pertencentes a membros do ANAMOLA e a outros residentes.

A Plataforma DECIDE avança que parte das destruições terá corrido no âmbito de operações envolvendo alegadamente elementos das Forças de Defesa e Segurança (FDS), enquanto outros actos são atribuídos a indivíduos civis identificados pelas comunidades locais. Nesta área, foram contabilizados prejuízos materiais avaliados em cerca de 2,5 milhões de meticais, além de registo de feridos e de mais uma vítima mortal.

Em comunicado, a organização sublinha que os factos relatados — caso venham a ser formalmente confirmados — constituem uma violação grave de direitos fundamentais salvaguardados pela Constituição da República de Moçambique, designadamente o direito à vida, à integridade física, à segurança e à liberdade de associação política.

A organização exorta as autoridades competentes a realizarem uma investigação célere, transparente e independente para apurar as circunstâncias dos factos, garantir a segurança e protecção das vítimas e testemunhas, e responsabilizar criminalmente os autores dos actos ilícitos. A monitoria da situação no terreno continuará nos próximos dias.

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