Xenofobia: Estrangeiro espancado até à morte por grupo de 50 pessoas na África do Sul

Um cidadão estrangeiro foi espancado até à morte na manhã desta quinta-feira, no leste da África do Sul, na cidade de Durban, confirmou a polícia, citado pela Agência EFE. O caso poderá tratar-se de um ataque xenófobo, após meses de manifestações contra a imigração irregular no país.
“As informações disponíveis neste momento sugerem que um grupo avançava pela rua Dr Pixley kaSeme em direção à rua Maud Mfusi. Ao que tudo indica, dois homens afastaram-se do grupo e aproximaram-se de um homem que se encontrava à beira da estrada”, explicou, em declarações citadas pelos meios de comunicação social locais, o porta-voz do Serviço de Polícia da África do Sul (SAPS, na sigla em inglês) na província de KwaZulu-Natal, o coronel Robert Netshiunda.
“Alega-se que a vítima foi agredida por um grupo de cerca de 50 pessoas e foi declarada morta no local”, acrescentou, precisando que foi aberto um processo por homicídio, enquanto o SAPS prossegue as investigações para esclarecer os factos e identificar eventuais suspeitos.
Acredita-se que a vítima teria entre 30 e muitos e 40 e poucos anos.
“A polícia está a seguir várias linhas de investigação e a utilizar todos os recursos ao seu alcance para identificar possíveis suspeitos. De momento, desconhece-se o motivo do homicídio, pelo que se apela aos membros da comunidade para que não divulguem informações não verificadas”, sublinhou Netshiunda.
Os acontecimentos ocorreram depois de Durban ter sido palco, esta quarta-feira, de manifestações contra a imigração, sob a forma de uma caravana motorizada organizada por condutores de plataformas de transporte e liderada pelo grupo March and March, uma das organizações que têm promovido as mobilizações dos últimos meses no país.
Durante as manifestações, segundo noticiou a imprensa sul-africana, os estabelecimentos comerciais geridos por estrangeiros encerraram e migrantes foram atacados, enquanto foram mobilizados efetivos da Força Nacional de Defesa da África do Sul (SANDF).
Os grupos anti-imigração responsabilizam os migrantes pelos problemas económicos, pelas deficiências nos serviços públicos e pelas elevadas taxas de criminalidade na África do Sul. Alguns chegaram mesmo a impedir-lhes o acesso aos cuidados de saúde e à educação em estabelecimentos públicos.
Embora afirmem protestar contra a imigração irregular, a violência xenófoba tem frequentemente afectado de forma indiscriminada cidadãos estrangeiros provenientes de outros países africanos.
Mais de 260 mil cidadãos do Zimbabué, Maláui, Gana, Moçambique, Nigéria, Quénia, Uganda, Tanzânia e República Democrática do Congo (RDC) foram repatriados para os seus países de origem nos últimos meses, perante esta vaga de xenofobia, segundo dados oficiais dos respectivos governos.
As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e, nos últimos anos, provocaram vagas de violência que causaram dezenas de mortos, sobretudo em bairros vulneráveis.
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