Internacional

Qatar Airways enfrenta maior crise de sua história devido ao conflito no Oriente Médio

O conflito no Oriente Médio, especialmente com o Irão, tornou-se a maior crise enfrentada pela Qatar Airways em mais de três décadas de operação. A afirmação foi feita por Hamad Al-Khater, CEO da companhia, durante uma entrevista à Bloomberg TV à margem do Qatar Economic Forum, realizado em Nova York.

Segundo o executivo, as consequências geopolíticas impactaram profundamente as operações da companhia aérea, obrigando uma reestruturação do seu extenso e estratégico mapa de rotas.

De acordo com Al-Khater e também citado pelo portal Aeroin, a crise geopolítica levou ao fechamento temporário dos espaços aéreos de vários países do Golfo, causando o cancelamento de inúmeros voos e a suspensão de operações em seu principal hub, Doha.

As restrições forçaram a empresa a reorganizar sua malha aérea, avaliando cuidadosamente quais rotas mantêm maior rentabilidade. “Suspenderemos as rotas menos lucrativas para concentrar nossos esforços nas mais sólidas,” afirmou o CEO.

Os desafios incluem também a elevação dos preços do combustível de aviação, pressionando ainda mais os custos operacionais. Apesar do prejuízo estimado em mil milhões de dólares causado pelo conflito, a Qatar Airways evitou divulgar o valor exacto do impacto financeiro.

Ainda assim, a empresa apresentou um lucro líquido de 1,94 mil milhões de dólares no ano fiscal de 2025-2026, encerrado em Março, o que representa uma queda de mais de 7% em comparação com o exercício anterior. O volume de passageiros também sofreu retração, passando de 43,1 milhões para 41,8 milhões.

A companhia está em processo de recuperação. Em Junho, já havia retomado cerca de 85% de seu volume de operações pré-crise, com mais de 140 voos partindo diariamente de Doha para mais de 160 destinos. Embora o número de destinos atendidos já tenha sido restabelecido, a frequência e capacidade dos voos ainda podem variar conforme a demanda.

O cenário incerto alterou também o comportamento dos clientes: actualmente, cerca de 75% dos passageiros fazem suas reservas com menos de 60 dias de antecedência, reflectindo cautela devido ao ambiente volátil. Mesmo assim, Al-Khater insiste que a demanda por viagens permanece robusta, apesar de o movimento de passageiros em trânsito pelo Oriente Médio ainda não ter voltado aos patamares anteriores ao conflito.

Questionado sobre o aumento dos preços do querosene, Al-Khater garantiu que, por ora, a Qatar Airways não repassou esses custos aos clientes, mas ressaltou que monitora constantemente esse factor. O CEO reforçou que o compromisso com a segurança de passageiros e funcionários se manteve como prioridade absoluta durante todo o período de turbulência.

 

(Foto DR)

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