Conferência NEXUM I: AMJIGE defende transparência e justiça financeira no apoio aos projectos juvenis

A directora-executiva da Associação Moçambicana de Jovens pela Igualdade de Gênero e Educação (AMJIGE), Francisca Noronha, defende uma mudança do paradigma no acesso ao financiamento para os projectos juvenis, apelando a mais transparência e justiça financeira.
A posição foi defendida hoje (01), em Maputo, na abertura da conferência sobre inovação e liderança juvenil NEXUM I, organizada pela AMJIGE, plataforma SER + em parceria com a Ajuda Popular da Noruega. O evento, que decorre até amanhã, junta mais de 300 jovens oriundos dos vários cantos do País para debater sobre inovação e liderança de jovens bem como acesso ao financiamento dos seus projectos.
Falando na abertura da primeira edição da conferência NEXUM I, que decorre em Maputo, hoje e amanhã, Francisca Noronha, explicou que a juventude moçambicana já demostrou o seu potencial em várias frentes, no entanto persistem barreiras no acesso às oportunidades para desenvolver os seus projectos.
“A juventude não precisa de discursos paternalistas. Nós temos ideias, temos coragem e temos talento. O que nos falta é a justiça financeira e o acesso às oportunidades. Não podemos continuar a aceitar que o talento africano e moçambicano seja elogiado em discursos, mas sufocado pela falta de crédito e burocrci”, acrescentou a directora-executiva da AMJIGE.
De acordo com Francisca Noronha, não faz sentido falar sobre inovação quando o capital continua trancado em cofres inacessíveis e direcionados. “É por isso que a Conferência NEXUM existe e esta é a primeira edição. A Nexum é um ponto de encontro entre a ideia e a acção.”
A fonte apelou igualmente mais investimento em projectos juvenis, assinalando que “investir na juventude não é um acto de solidariedade, é o único caminho viável para investir no desenvolvimento, estabilidade e para a prosperidade do nosso País”.
Já em representação da Ajuda Popular da Noruega, o coordenador técnico do apoio à sociedade civil, Isidro Macaringue, afirmou que a juventude não deve ser vista como um actor fundamental na construção de soluções para os desafios do presente e do futuro do País. Neste sentido, segundo a fonte, o apoio do Governo da Noruega à conferência NEXUM I tem como objectivo apoiar os jovens moçambicanos na prossecução das suas aspirações sociais, políticas e económicas.
“Esperamos que a conferência de inovação e liderança juvenil NEXUM I se afirme como espaço de referência para a juventude moçambicana onde os jovens possam partilhar as crenças, apresentar ideias, estabelecer parcerias e encontrar soluções inovadoras para os desafios que enfrentam. Esperamos igualmente que esta conferência contribua para a construção e materialização de oportunidades económicas para a juventude com enfoque na criação de emprego e auto-emprego, no acesso ao financiamento que permita aos jovens desenvolver e concretizar as suas ideias e iniciativas”, referiu Macaringue.
Mais adiante, a representante da Consultora em recursos humanos RSM, Edite Félix, destacou haver talento e vontade na juventude moçambicana, apelando no entanto, à existência de barreiras para o desenvolvimento dos seus projectos. “Há necessidade de se desenvolver cada vez mais a capacidade de execução, conhecimento do mercado, disciplina financeira, gestão de risco, credibilidade e, acima de tudo, confiança. E confiança é uma coisa que nós conseguimos construir”, frisou.
Recorde-se que a conferência NEXUM I deverá debater, igualmente, durante os dois dias, assuntos ligados a descobertas de talentos, competências, profissões do futuro, sobretudo ligadas à Inteligência Artificial.
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