Chapo destaca elevação da cooperação com Botswana a nível binacional

O Presidente da República, Daniel Chapo, considerou que a visita de Estado ao Botswana abriu uma nova etapa nas relações entre os dois países, com destaque para a decisão de elevar o mecanismo institucional de cooperação bilateral de comissão mista para comissão binacional, a ser co-presidida pelos dois Chefes de Estado.
Segundo o estadista, o novo mecanismo deverá conferir maior coordenação, acompanhamento e orientação política às relações entre Moçambique e Botswana, sobretudo nas áreas económica e comercial.
Falando esta quarta-feira, em conferência de imprensa de balanço da visita, realizada a convite do Presidente do Botswana, Advogado Duma Gideon Boko, o estadista moçambicano disse que as conversações oficiais decorreram num ambiente de amizade, confiança, fraternidade e abertura, permitindo uma troca de pontos de vista sobre questões de interesse bilateral, regional, continental e internacional.
A visita incluiu a participação nas celebrações dos 60 anos de independência do Botswana. No domínio dos transportes e logística, o Chefe do Estado revelou que Moçambique e Botswana analisaram a possibilidade de utilização do Porto de Nacala para importação e exportação de bens, como alternativa para facilitar o acesso aos mercados.
“No encontro que mantivemos, explorámos a possibilidade de o Botswana utilizar o Porto de Nacala como uma das vias para a importação e exportação de bens e, desta forma, estabelecer ligações de forma mais eficaz com os mercados”, disse, recordando que o Botswana utiliza actualmente o Porto de Maputo através do Corredor do Limpopo.
Daniel Chapo destacou igualmente a possibilidade de desenvolvimento de pacotes turísticos integrados entre os países da região austral de África, ligando destinos do Botswana, Tanzânia, Zimbabwe, Moçambique e África do Sul.
“Neste aspecto, falámos, sobretudo, da possibilidade de turistas terem pacotes integrados, que um turista pode vir a Botswana, mas passar por Zanzibar, na Tanzânia, passar por Victoria Falls, no Zimbábue, passar por Vilankulo, em Moçambique, e pode sair por África do Sul, através do Kruger Park, com o mesmo pacote, e é neste sentido que estamos a trabalhar”, explicou.
No âmbito da componente económica, o Presidente da República destacou a realização do Fórum de Negócios Moçambique Botswana, que reuniu empresários dos dois países e permitiu identificar oportunidades de investimento, parcerias e negócios.
Reiterou a importância do sector privado na transformação da economia moçambicana, defendendo o processamento dos recursos no país, a criação de empregos e o aumento das receitas do Estado para financiar sectores sociais.
A visita incluiu ainda contactos com instituições e empresas estratégicas do Botswana, nomeadamente o Botswana Meat Commission e a Okavango Diamond Company, onde o Presidente da República conheceu experiências de processamento e valorização de recursos. “Como sabem, estamos a fazer reformas profundas e a experiência de Botswana é extremamente importante para os recursos minerais moçambicanos, que devem gerar riqueza para o povo moçambicano”, declarou.
O estadista moçambicano destacou também a dimensão histórica da visita, incluindo a passagem pelo Museu Samora Machel, em Lobatse, espaço que homenageia o primeiro Presidente de Moçambique independente e simboliza os laços entre os dois povos.
Segundo informou, a visita permitiu recordar o apoio prestado pelo Botswana à luta de libertação nacional de Moçambique. O Presidente manteve ainda um encontro com a comunidade moçambicana residente em Botswana, tendo registado preocupações apresentadas pelos compatriotas e referido medidas em curso para melhorar os serviços de registo junto do Alto Comissariado.
No balanço da visita, o Chefe do Estado fez igualmente referência à participação de Moçambique nas celebrações dos 60 anos da independência do Botswana, considerando o momento de elevado significado para aquele povo e para a história da região da SADC.




