Moody’s baixa crédito de Moçambique mas mantém estável a perspectiva económica

A agência de notação financeira Moody’s Ratings cortou ainda mais a classificação de crédito de Moçambique no que já era considerado de “lixo” citando o aumento do risco de que o País tenha de reestruturar os seus títulos de dívida Eurobonds.
A Moody’s cortou a classificação de risco de Moçambique para a dívida de longo prazo em moeda estrangeira e dívida sénior não garantida para Caa3, de Caa2, mas disse que a perspectiva continua estável.
Segundo uma publicação do Jornal Savana, as pressões de financiamento e pagamento, que antes se concentravam no mercado de dívida interna, têm-se espalhado para a dívida externa, disse a agência acrescentando que o financiamento externo líquido negativo e o aumento em atrasos indicam um acesso severamente limitado a recursos em moeda estrangeira.
As elevadas necessidades de refinanciamento da dívida deixam pouca capacidade para regularizar os atrasos, enquanto salários e pagamentos de juros, que consomem cerca de 80% das receitas, limitam as margens fiscais antes dos pagamentos do principal do Eurobond começarem em 2028.
A perspectiva estável reflecte a avaliação da Moody’s de que os riscos para o perfil de crédito de Moçambique estão equilibrados ao nível de classificação Caa3. Um melhor acesso a financiamento externo e ajustes de política poderiam reduzir o risco de reestruturação ou limitar perdas, tal como o progresso em projectos de Gás Natural Liquefeito (GNL) em grande escala, que reforçaria os ganhos em moeda estrangeira e a capacidade de reembolso a partir do início da próxima década.
O financiamento externo líquido tem sido negativo desde 2022, enquanto os atrasos totais no serviço da dívida externa atingiram 328 milhões de dólares, o que equivale a 1,3% do PIB, no final de 2025. As reservas internacionais brutas estavam em 3,5 mil milhões de dólares no final de Junho de 2026, equivalentes a 4,3 meses de importações fora de megaprojectos. Os bancos e empresas enfrentam atrasos na obtenção de divisas, a taxa de câmbio no mercado paralelo continua cerca de 10% a 15% mais baixa do que a taxa oficial, e o banco central apertou os requisitos de entrega de divisas e as restrições aos fluxos de capital, disse a Moody’s.
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