Sociedade

UEM lidera a confiança dos profissionais de RH na escolha de talentos, revela pesquisa nacional

Estudo realizado pela LESHY, NHP Consultoria e BD Business Diversity procurou compreender as percepções dos profissionais de Recursos Humanos sobre as instituições de ensino superior moçambicanas e a sua ligação com o mercado de trabalho.

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) foi identificada como a instituição de ensino superior mais confiada pelos profissionais de Recursos Humanos para a procura de talentos em Moçambique. A Universidade Pedagógica de Maputo ocupou a segunda posição, enquanto a Universidade Joaquim Chissano ficou em terceiro lugar. Os dados fazem parte do Índice de Confiança dos Profissionais de RH nas Instituições de Ensino Superior.

A apresentação dos resultados, realizada no passado dia 17 de Setembro, proporcionou um espaço de reflexão sobre a relação entre as instituições de ensino superior e o sector produtivo. A cerimónia contou com a presença de profissionais de Recursos Humanos, representantes de empregadores, estudantes e empresas convidadas, colocando em diálogo diferentes actores que participam, directa ou indirectamente, no processo de formação, recrutamento e integração profissional dos jovens.

Uma pesquisa centrada na percepção do mercado

A pesquisa foi conduzida entre Abril e Maio de 2026. O estudo recolheu respostas de dois grupos principais: profissionais de Recursos Humanos e estudantes. Aos profissionais de Recursos Humanos foi colocada uma questão central: se tivessem de recrutar talentos exclusivamente com base na universidade de origem, de que instituição mais procurariam candidatos? A pergunta procurou captar a confiança e a percepção dos recrutadores relativamente aos graduados das diferentes instituições de ensino superior.

O relatório esclarece, contudo, que a universidade frequentada não constitui, por si só, um critério suficiente para uma decisão de contratação. Competências técnicas e comportamentais, experiência profissional, referências, resultados de testes psicométricos e desempenho em entrevistas são igualmente factores relevantes nos processos de selecção. Assim, os resultados devem ser interpretados como uma representação das percepções dos profissionais de RH e não como uma avaliação definitiva da qualidade académica das instituições.

A pesquisa abrangeu 27 instituições de ensino superior nacionais, entre universidades, institutos superiores, institutos superiores politécnicos e escolas superiores, bem como referências a instituições estrangeiras. A análise procurou observar as preferências dos recrutadores em diferentes áreas do saber, permitindo identificar instituições com maior reconhecimento em domínios específicos.

Embora a Universidade Eduardo Mondlane tenha assumido a liderança no resultado geral, os dados revelam que a confiança dos profissionais de RH varia em função da área de formação. Na área de Educação e Formação de Professores, por exemplo, a Universidade Pedagógica de Maputo apresentou uma posição dominante, reunindo 71,2% das preferências registadas nessa categoria.

Na área de Direito, Relações Internacionais e Governança, a Universidade Joaquim Chissano destacou-se, liderando com 48,1% das escolhas. Já em Comunicação, Artes e Cultura, instituições especializadas, como o Instituto Superior de Artes e Comunicação e a Escola Superior de Jornalismo, apresentaram maior preferência do que a UEM.

Estes resultados sugerem que a reputação institucional não é construída apenas pela dimensão ou pelo carácter generalista de uma universidade, mas também pela sua especialização e pela percepção do mercado relativamente às competências que desenvolve.

A pesquisa identificou igualmente áreas em que os profissionais de RH enfrentam maiores dificuldades para encontrar talentos. As diferentes especialidades de Engenharia foram as mais mencionadas. O relatório aponta ainda para a necessidade de reforçar a formação em sectores estratégicos, incluindo tecnologias de informação, petróleo e gás, auditoria e compliance.

Durante a apresentação dos resultados, ficou evidente que a discussão sobre a qualidade do ensino superior não deve limitar-se às classificações institucionais. Deve também considerar a capacidade das universidades de acompanhar a evolução das profissões, investir na investigação, fortalecer a componente prática da formação e estabelecer relações mais consistentes com as organizações que absorvem os seus graduados.

Os promotores consideram esta primeira edição como o ponto de partida de uma iniciativa de acompanhamento contínuo. A visão apresentada no relatório é a criação de um Observatório de Integração dos Estudantes no Mercado de Trabalho, com recolha periódica de dados sobre empregabilidade e integração profissional.

Mais do que uma classificação, o estudo coloca uma questão central: até que ponto as instituições de ensino superior estão a preparar os seus estudantes para responder, com competência e relevância, aos desafios do actual mercado de trabalho?

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