Zavala atinge recorde de público em três dias de celebração da Timbila

Durante três dias, entre 27 e 29 de Agosto, Quissico, em Zavala, deixou de ser apenas o território onde a Timbila sobrevive como uma das mais importantes expressões da cultura chope, para se transformar, por força do M’Saho, num grande espaço de encontro entre os mestres que receberam e conservaram os conhecimentos dos seus antepassados e uma nova geração que precisa de encontrar razões para os continuar.
Entre artistas moçambicanos e estrangeiros, investigadores, estudantes, turistas, artesãos, governantes, produtores culturais e comunidades locais, todos reunidos em torno de uma manifestação que, desde 2005, carrega também o reconhecimento internacional de Património Cultural Imaterial da Humanidade atribuído pela UNESCO.
Na sua XXX edição, o M’Saho – Festival de Timbila procurou, mais do que repetir a habitual celebração musical que anualmente leva grupos de diferentes comunidades ao encontro do público, alargar o significado da festa, transformando-a numa experiência cultural mais abrangente, capaz de mostrar como se constrói uma Timbila, explicar como se toca e se dança, discutir os desafios da sua preservação, aproximar os jovens da tradição, criar oportunidades para os visitantes conhecerem o território e, ao mesmo tempo, fazer da cultura uma possibilidade concreta de dinamização económica para as comunidades de Zavala.
A história desta mítica edição começou no Centro de Interpretação da Timbila, recentemente criado no povoado de Guilundo, um espaço que, pela sua localização e pelo significado que carrega, parece condensar numa mesma paisagem diferentes tempos da história desta manifestação cultural, pois é ali que se procura explicar aos visitantes a origem, a construção, a música e a dança da Timbila, ao mesmo tempo que, ali, repousam os restos mortais do Mestre Venâncio Mbande, figura de referência da tradição ‘timbileira’ em Zavala.
O centro não foi concebido apenas como um lugar onde se olha para o passado, mas como uma estrutura destinada a criar condições para que esse passado continue a produzir futuro, razão pela qual, além da componente de interpretação e divulgação, existe também uma preocupação com a reprodução do ‘mwendje’, uma das matérias-primas fundamentais para a construção das timbilas, cuja escassez começa a colocar em causa a própria continuidade da produção dos instrumentos.
Foi nesse lugar de memória, conhecimento e preocupação com o futuro que o M’Saho abriu a sua XXX edição, numa manhã em que os grupos de Timbila começaram a chegar, acompanhados por investigadores, estudantes e visitantes, alguns dos quais tinham escolhido acampar no local para acompanhar de perto uma programação que, ao contrário das edições mais recentes, não se limitava a um único dia de apresentações.
A decisão de recuperar o formato de três dias foi explicada por Samuel Júnior, director provincial da Cultura e Turismo de Inhambane, como uma resposta a uma das limitações que o festival vinha enfrentando, uma vez que a realização concentrada num único dia dificultava a permanência de turistas, sobretudo daqueles provenientes da África do Sul e de outros países, que precisavam de encontrar uma experiência suficientemente ampla para justificar a deslocação a Zavala.
A ideia, explicou o dirigente, era permitir que o visitante permanecesse mais tempo no território, tivesse contacto com diferentes dimensões da cultura local e, ao mesmo tempo, “deixasse uma maior contribuição na economia das comunidades, através do alojamento, restauração, artesanato, transporte e participação em outras actividades turísticas”.




