Sociedade

Governo reserva 10% dos projectos agrícolas para os Veteranos da Luta de Libertação

O  Governo reserva 10% das iniciativas do sector agrícola aos Veteranos da Luta de Libertação Nacional, uma medida que procura transformar o reconhecimento histórico em participação directa na produção e no desenvolvimento económico.

A decisão foi anunciada esta segunda-feira (07), em Maputo, pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante a cerimónia oficial de celebração dos 52 anos dos Acordos de Lusaka.

No seu discurso de ocasião, Chapo destacou a necessidade de os antigos combatentes continuarem a contribuir para o desenvolvimento do País, agora através de actividades produtivas.

“Temos a honra de vos comunicar que o Governo decidiu que, a partir deste ano, 10 por cento dos projectos do sector da Agricultura serão reservados para Veteranos da Luta de Libertação Nacional, em todo o País”, anunciou Chapo, citado pela Revista Terra.

A medida representa uma nova abordagem na política de valorização dos combatentes, ao associar o reconhecimento pelo seu papel na luta de libertação a oportunidades concretas de participação no sector agrícola.

Ao justificar a decisão, o Presidente da República afirmou que aqueles que contribuíram para a libertação do território nacional devem também participar no seu desenvolvimento. “Queremos que aqueles que ajudaram a libertar a terra e os homens também participem no seu desenvolvimento sustentável”, afirmou, acrescentando que o Governo continuará a criar condições para que os combatentes participem no processo de desenvolvimento.

O anúncio surge num contexto em que o Executivo coloca a independência económica no centro da sua visão para os próximos anos. O Presidente defendeu uma economia moçambicana mais produtiva e competitiva, com maior participação dos cidadãos nas cadeias de valor.

Para a agricultura, a nova quota poderá abrir espaço para uma maior integração dos Veteranos em actividades de produção, transformação e comercialização, embora o discurso presidencial não tenha especificado que tipos de projectos estarão abrangidos.

Também não foram anunciados os critérios de acesso, o modelo de financiamento, os mecanismos de selecção dos beneficiários ou a distribuição dos 10% pelas províncias. Estes elementos serão fundamentais para determinar o alcance da medida e o seu impacto efectivo na actividade agrícola dos combatentes.

A decisão coloca, entretanto, os Veteranos da Luta de Libertação Nacional como um novo grupo com participação formalmente reservada nos projectos agrícolas, ligando a memória da luta pela libertação da terra ao actual desafio de produzir, gerar rendimento e contribuir para a independência económica do País.

 

(Foto DR)

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo