Internacional

Relatório da OMS indica que o cancro vai afectar quase toda a população mundial de forma directa ou indirecta

O cancro já não é apenas uma crise médica individual, mas sim um problema social que vai tocar a vida de quase todos os cidadãos do planeta. Um novo relatório global da Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que 92% da população mundial será afectada directa ou indirectamente pelo cancro ao menos uma vez na vida.

A estatística combina o número de pessoas que vão desenvolver a doença com o total de familiares, amigos e cuidadores que sofrem os impactos emocionais e financeiros do diagnóstico. De acordo com o documento, uma em cada cinco pessoas, o que representa cerca de 20% da população, terá a doença directamente ao longo da vida.

Em Moçambique, onde o acesso a tratamentos de ponta ainda enfrenta barreiras geográficas e financeiras, o impacto indirecto sobre as famílias é severo. Quando um paciente é diagnosticado, a rotina doméstica e a economia familiar são profundamente abaladas pelo custo dos transportes para os hospitais centrais e pela necessidade de assistência permanente.

A Directora do Departamento de Doenças Não Transmissíveis da OMS, Bente Mikkelsen, sublinhou a urgência de uma mudança de abordagem por parte dos governos no relatório:

“O cancro não destrói apenas a saúde do utente; ele desestrutura economias familiares inteiras. Se não investirmos massivamente nos cuidados de saúde primários e no diagnóstico precoce a nível comunitário, os sistemas de saúde dos países em desenvolvimento não vão aguentar a pressão nos próximos anos.”

O relatório aponta para um cenário desafiador nas próximas décadas, impulsionado pelo envelhecimento da população e pela exposição a factores de risco. O número de novos casos anuais deve saltar de 20,6 milhões para cerca de 35 milhões até 2050, o que significa um crescimento de quase 70%.

Apesar do alerta, a OMS lembra que 40% dos casos actuais podem ser evitados através do combate ao tabagismo, redução do consumo de álcool, alimentação saudável e vacinação, como a do HPV para prevenir o cancro do colo do útero, o mais comum entre as mulheres em Moçambique.

O grande desafio para os próximos anos reside na equidade. Enquanto nos países de renda alta a taxa de sobrevivência para vários tipos de tumores ultrapassa os 80%, nas nações em vias de desenvolvimento esse índice fixa-se abaixo dos 40%, reforçando a necessidade urgente de descentralizar os serviços de oncologia.

Imagem: DR

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