Xenofobia já forçou o regresso de mais de 1300 moçambicanos da África do Sul

O Governo anunciou o repatriamento de 1363 cidadãos moçambicanos afectados pelos ataques xenófobos e pelas manifestações anti-imigração registadas na República da África do Sul, desde o recrudescimento da violência, a 30 de Junho.
A informação foi avançada esta terça-feira (07), após mais uma sessão ordinária do Conselho de Ministros, que apreciou a situação dos cidadãos nacionais afectados pela onda de violência em várias províncias sul-africanas.
Na ocasião, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, afirmou que as manifestações intensificaram-se nas últimas semanas e têm sido marcadas por ataques a residências, incêndios, saques, agressões físicas, intimidações e expulsões forçadas de cidadãos estrangeiros das comunidades onde residiam.
A violência, inicialmente circunscrita a algumas localidades, alastrou-se para as províncias de Gauteng, KwaZulu-Natal, Mpumalanga, Limpopo e, posteriormente, North West.
“Desde o início dos ataques, 1363 moçambicanos regressaram ao País, dos quais 625 entre os dias 01 e 4 de Julho”, revelou Impissa.
Face à situação, o Governo moçambicano informou que está a desenvolver acções para assegurar a reintegração sócio-económica dos cidadãos repatriados, através do levantamento das suas qualificações profissionais e da identificação de oportunidades de emprego.
“Dos 1363 cidadãos regressados, 809 declararam possuir uma profissão. Entre estes, destacam-se 363 pedreiros, 102 artesãos, 87 pintores e 77 empregadas domésticas. Há ainda registo de electricistas, ladrilhadores, carpinteiros e canalizadores, embora em número inferior a 20 profissionais em cada uma destas especialidades.”
No âmbito deste processo, o Ministério do Trabalho e Acção Social, em coordenação com o Instituto de Formação Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo (IFPELAC), está a promover a certificação profissional dos repatriados, com vista ao seu enquadramento em programas de mobilidade laboral, ao abrigo de memorandos de entendimento celebrados com países parceiros, entre os quais Portugal e os Emirados Árabes Unidos.
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