Sociedade

Global Africa Investment Summit defende transformação dos recursos em capacidade produtiva

O representante do Global Africa Investment Summit, Akinwumi Adesina, defendeu que Moçambique deve transformar os seus recursos naturais em capacidade produtiva, através da criação de indústrias competitivas, desenvolvimento do capital humano e reforço das instituições.

Akinwumi Adesina falava como orador durante a Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Inclusivo e Sustentável de Moçambique.

Segundo o representante do Global Africa Investment Summit o futuro do país não será determinado apenas pelos recursos que possui, mas pela capacidade de os transformar em desenvolvimento económico e social.

O representante referiu que Moçambique reúne condições estratégicas para acelerar o crescimento, destacando a sua localização no oceano Índico, a extensa costa marítima, os recursos energéticos, os minerais críticos, o potencial agrícola e uma população jovem.

Segundo o orador, Moçambique é uma nação de oportunidades extraordinárias, mas “a história ensina-nos que o potencial não se transforma automaticamente em prosperidade.”

Para o representante do Global Africa Investment Summit, a diferença está na capacidade de criar uma visão clara, instituições fortes, investimentos estratégicos e uma execução eficaz das políticas públicas.

A fonte apontou cinco pilares fundamentais para a transformação sustentável do país, começando pela construção de indústrias competitivas. Defendeu que Moçambique deve ultrapassar a dependência da exportação de matérias-primas e apostar no processamento local dos seus recursos, criando emprego, competências e maior participação nas cadeias de valor globais.

Sobre o sector energético, destacou as oportunidades associadas ao gás natural da Bacia do Rovuma, sublinhando que o verdadeiro valor destes recursos está na capacidade de impulsionar outros sectores da economia, como a indústria, agricultura, transformação mineral e tecnologia.

“A ambição de Moçambique deve ir além da exportação de recursos. Deve ser construir indústrias, desenvolver capacidades locais e criar empregos qualificados”, disse.

No sector agrícola, Adesina considerou que o país possui um enorme potencial, mas alertou que os recursos naturais, por si só, não garantem prosperidade. Defendeu investimentos em irrigação, tecnologia, investigação, armazenamento, financiamento e ligação aos mercados para transformar a agricultura familiar numa actividade económica competitiva.

O desenvolvimento do capital humano foi apresentado como outro pilar essencial. Para o representante do Global Africa Investment Summit, a principal riqueza de Moçambique está também no conhecimento, criatividade e capacidade da sua população.

Defendeu investimentos contínuos na educação, formação técnico-profissional, competências digitais, investigação e empreendedorismo, considerando estes factores determinantes para preparar os moçambicanos para a economia do futuro.

Destacou igualmente a posição geográfica de Moçambique como uma vantagem estratégica regional, apontando os portos de Maputo, Beira e Nacala como plataformas capazes de ligar os países da região aos mercados internacionais.

“A conectividade cria valor. Um porto cria valor porque liga produtores aos mercados; uma estrada cria valor porque liga comunidades às oportunidades”, afirmou.

Ainda durante a sua intervenção, apelou o fortalecimento das instituições nacionais, com maior transparência, responsabilidade na gestão dos recursos públicos e criação de um ambiente de confiança para investidores e parceiros de desenvolvimento.

Sobre os desafios climáticos, alertou que ciclones, cheias e outros fenómenos extremos representam também ameaças económicas, por afectarem infra-estruturas, agricultura e investimentos.

Como resposta, propôs a criação de um Fundo de Investimento Resiliente de Moçambique, destinado a mobilizar capital público e privado para apoiar projectos de adaptação climática, agricultura resiliente e protecção dos activos produtivos.

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